A uma semana do fim do prazo das convenções partidárias, o cenário político de Mato Grosso do Sul entrou em forte ebulição. O grupo liderado pelo governador Eduardo Riedel (PP) ainda não fechou as suplências das candidaturas ao Senado, o PL consolidou a dupla Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, o deputado federal Marcos Pollon aceitou disputar a reeleição e a senadora Tereza Cristina voltou a ser cogitada para a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
A indefinição mais imediata está nas chapas ao Senado apoiadas por Riedel. Embora Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL) já estejam colocados como pré-candidatos da coligação, os nomes que ocuparão as suplências seguem em aberto.
Até o momento, apenas uma posição está praticamente definida: o advogado Felipe Mattos, ex-secretário de Administração do governo estadual, deve ser o primeiro suplente de Reinaldo Azambuja.
Na tentativa de ampliar a composição política e eleitoral, Reinaldo se reuniu nesta terça-feira com representantes do Conselho de Pastores e pediu sugestões de nomes. Entre os indicados estão o pastor Jackson Luvizotto (União Brasil), liderança da Igreja do Evangelho Quadrangular em Mato Grosso do Sul, e o empresário Luciano Medeiros (PP), diretor da Rádio Hora.
Segundo relatos da reunião, ambos podem ser aproveitados na segunda suplência de Reinaldo ou na primeira suplência de Capitão Contar, mas sem garantia de escolha.
Outro nome que ganhou força nos bastidores é o de Cláudio Mendonça, ex-diretor do Sebrae e atual coordenador da campanha de Eduardo Riedel. Ele é apontado como possível primeiro suplente de Contar, com apoio da senadora Tereza Cristina.
O principal movimento da semana ocorreu dentro do PL. Após meses de disputa, o deputado federal Marcos Pollon aceitou disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados e deixou de pressionar pela segunda vaga ao Senado.
A definição foi confirmada pelo presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que já trata como fechada a composição com Reinaldo Azambuja e Capitão Contar para o Senado. O convite oficial da convenção estadual do partido, marcada para 1º de agosto, já traz os dois nomes ao lado de Eduardo Riedel e Flávio Bolsonaro.
Pollon era apoiado principalmente por Michelle Bolsonaro e sustentava a candidatura com base em uma carta atribuída a Jair Bolsonaro. Com a impossibilidade de participação política mais ativa do ex-presidente, prevaleceu o acordo entre Reinaldo, Flávio Bolsonaro e Valdemar de que pesquisas eleitorais seriam o critério para definição dos candidatos.
Apesar disso, aliados avaliam que Pollon deve manter o discurso de que a vontade de Bolsonaro não foi respeitada, narrativa que pode ser usada durante sua campanha à reeleição.
No Republicanos, o deputado estadual Roberto Hashioka confirmou que será candidato a deputado federal. A decisão veio após dias de incerteza e conversas com o grupo do governador.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Hashioka afirmou ter aceitado o convite de Eduardo Riedel para entrar na disputa. O governador o classificou como um dos quadros mais qualificados do Estado.
O Republicanos trabalha com a meta de conquistar até duas cadeiras na Câmara Federal. Hashioka terá como principais concorrentes internos o deputado federal Beto Pereira, os vereadores Isa Marcondes e Neto Santos, além do ex-secretário Jaime Verruck.
Outro capítulo político encerrado nesta semana ocorreu em Corumbá. A Justiça Eleitoral arquivou a ação que tentava cassar o mandato do vereador Vianna, hoje no Republicanos.
O processo havia sido aberto pelo PSB após a troca de partido, mas a própria executiva estadual recuou e pediu a extinção da ação, reconhecendo a carta de anuência para a desfiliação.
O relator, juiz Fernando Bonfim Duque Estrada, também rejeitou a tentativa do segundo suplente da legenda de assumir a ação, mantendo Vianna no exercício do mandato.
O calendário eleitoral acelera nos próximos dias. Já realizaram convenção Agir, PSDB, Federação PSOL-Rede e Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV).
As próximas datas são:
31 de julho: Avante
1º de agosto: PL, União Progressista (PP + União Brasil), MDB, PSD e Democracia Cristã
4 de agosto: PDT
5 de agosto: PRD e Novo
O Novo será o último partido a oficializar candidaturas em Mato Grosso do Sul.
No plano nacional, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) voltou ao centro das negociações para compor a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Após inicialmente indicar prioridade à disputa pela presidência do Senado em 2027, a ex-ministra da Agricultura admitiu a aliados que pode reconsiderar o convite para ser vice na chapa do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A negociação envolve também o apoio formal do PP e do União Brasil à candidatura presidencial de Flávio. Novas conversas entre as cúpulas partidárias devem ocorrer nos próximos dias, mas a palavra final ainda dependerá de Jair e Flávio Bolsonaro.
Com as convenções se aproximando, o grupo de Eduardo Riedel entra na fase mais delicada da montagem eleitoral: definir suplências, acomodar aliados evangélicos, empresariais e partidários e evitar novos focos de tensão dentro da ampla coalizão que reúne PP, União Brasil, PL, Republicanos e outras legendas.
O desenho final das chapas deve começar a ser conhecido já neste sábado, quando PL e União Progressista realizam suas convenções estaduais em Campo Grande.