A formação da chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) sofreu uma reviravolta nesta sexta-feira (31). Horas depois de o senador afirmar publicamente que a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) aceitou o convite para disputar a Vice-Presidência da República ao seu lado, a direção nacional do Progressistas anunciou que permanecerá neutra na eleição presidencial, impedindo, neste momento, a oficialização da aliança.
Pela manhã, Flávio Bolsonaro revelou que havia convidado a ex-ministra da Agricultura para integrar sua chapa e afirmou que ela aceitou o convite. Segundo ele, faltava apenas a manifestação oficial do Progressistas, já que qualquer composição dependeria do aval da legenda.
"O convite foi feito, ela aceitou. Agora estamos esperando para saber se o partido vai avançar ou não", declarou Flávio Bolsonaro.
Pouco tempo depois da declaração, o Progressistas divulgou uma nota oficial informando que, após consulta aos diretórios estaduais, decidiu, por maioria, manter neutralidade na disputa presidencial de outubro e não convocará convenção nacional para aderir a qualquer candidatura. A legenda acrescentou que a decisão já foi comunicada e acatada por Tereza Cristina, líder do partido no Senado.
A decisão representa um revés para Flávio Bolsonaro, que via na senadora de Mato Grosso do Sul um dos principais nomes para ampliar o diálogo com o agronegócio e fortalecer sua candidatura junto ao eleitorado feminino e ao setor produtivo. Tereza Cristina foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro e é considerada uma das principais lideranças nacionais do agro.
Apesar do anúncio do PP, Flávio Bolsonaro afirmou que ainda não desistiu da composição. Segundo o senador, o prazo para registro das candidaturas termina em 5 de agosto, e, até lá, as negociações continuam.
"Até o dia 5, tudo pode acontecer, inclusive nada", afirmou o pré-candidato, ao dizer que respeita a decisão do partido, mas seguirá conversando com a legenda.
Nos bastidores, a neutralidade adotada pelo Progressistas também reflete o desafio da legenda em conciliar interesses regionais distintos. Integrante da Federação União Progressista, ao lado do União Brasil, o partido possui diretórios estaduais alinhados a diferentes projetos políticos, o que levou a direção nacional a optar por não apoiar oficialmente nenhum candidato ao Palácio do Planalto.
Embora o cenário ainda possa sofrer alterações até o encerramento do prazo eleitoral, a decisão do PP praticamente interrompe, neste momento, a possibilidade de Tereza Cristina integrar a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Ainda assim, as declarações do pré-candidato indicam que o assunto permanece em aberto e deve continuar movimentando os bastidores da política nacional nos próximos dias.