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Aliança entre Reinaldo e Nelsinho vira o jogo em MS e provoca reação em cadeia entre adversários
Desistência do senador do PSD para assumir a suplência de Azambuja surpreende o meio político, fortalece a chapa governista e obriga pré-candidatos a recalcular estratégias a poucos dias do fim das convenções
03/08/2026 14h20
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A decisão do senador Nelsinho Trad (PSD) de desistir da disputa pela reeleição e assumir a primeira suplência na chapa de Reinaldo Azambuja (PL) provocou um terremoto político em Mato Grosso do Sul e mudou o cenário da corrida ao Senado. O anúncio, confirmado durante as convenções do fim de semana, pegou de surpresa aliados e adversários e passou a dominar as articulações eleitorais a poucos dias do encerramento do prazo para convenções partidárias.

A composição oficializou uma estratégia de unificação da base do governador Eduardo Riedel (PP), que também confirmou Capitão Contar (PL) como o segundo nome da chapa governista ao Senado. Nelsinho justificou o recuo afirmando que o objetivo era “somar” e evitar divisão dentro do grupo político. A mudança foi articulada com o apoio da direção nacional do PSD e reforça a aliança entre PL, PSD e partidos da base estadual.

O impacto foi imediato. O deputado federal Vander Loubet (PT) afirmou que a decisão “pegou todos de surpresa” e avaliou que a movimentação pode abrir espaço para conquistar eleitores insatisfeitos com a aliança. O petista aposta na experiência parlamentar e no diálogo com prefeitos de diferentes partidos para crescer na disputa pelas duas vagas ao Senado.

Pelo campo da oposição ao grupo governista, o pré-candidato do Novo, Roberto Oshiro, também demonstrou surpresa e criticou o que chamou de concentração de candidaturas em torno da estrutura de poder. Segundo ele, a união entre Reinaldo e Nelsinho pode estimular eleitores que buscam uma alternativa fora dos grandes grupos políticos tradicionais.

O ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), que ainda avalia se disputará as eleições, disse que o cenário mudou completamente e afirmou estar reavaliando os próximos passos do partido.

A reconfiguração também atingiu o PL. O deputado federal Marcos Pollon reconheceu publicamente que perdeu a disputa interna para Reinaldo Azambuja e Capitão Contar. Após semanas resistindo à retirada do nome, acabou aprovando a chapa durante a convenção. A decisão gerou críticas de parte de seus apoiadores nas redes sociais, enquanto Contar tentou sinalizar unidade e pediu apoio ao deputado.

Outro reflexo importante ocorreu no bloco de apoio a Riedel. A senadora Soraya Thronicke (PSB) permaneceu na chapa encabeçada por Fábio Trad (PT), depois de não conseguir levar o Podemos para a coligação petista. A tendência é que o partido passe a integrar o arco de alianças do governador, ampliando ainda mais a vantagem da coligação governista em tempo de propaganda e estrutura de campanha.

Com a nova composição, Riedel reúne uma frente ampla com partidos como PL, União Brasil, PP, PSD, PSDB, MDB, Republicanos, Avante e Podemos, consolidando a maior base política da disputa estadual. A convenção que oficializou sua candidatura à reeleição reuniu milhares de apoiadores e confirmou o discurso de unidade do grupo governista.

No campo das candidaturas ao governo, já estão oficializados Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT), Lucien Rezende (PSOL), Jeferson Bezerra (Agir) e Renato Gomes (DC). O Novo deve confirmar nesta quarta-feira o nome do deputado João Henrique Catan.

Para o Senado, além de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, seguem na disputa Vander Loubet (PT), Soraya Thronicke (PSB), Daniel Júnior (Agir), Beto do Movimento (PSOL), Luiz Lemes (DC) e, se confirmado em convenção, Roberto Oshiro (Novo).

A mudança de rota de Nelsinho alterou especialmente a disputa pelas duas vagas do Senado, já que em 2026 o eleitor de Mato Grosso do Sul poderá votar em dois candidatos para a Câmara Alta. Até então, pesquisas colocavam Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e Nelsinho Trad entre os nomes mais competitivos do cenário estadual.

O prazo para realização das convenções termina em 5 de agosto. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral, e a campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. Até lá, a aliança entre Reinaldo e Nelsinho segue como o principal fato político da pré-campanha em Mato Grosso do Sul.