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Mistério sobre recém-nascida em Campo Grande: polícia apura se bebê foi entregue para quitar dívida de pai ligado a facção
Família falou em sequestro e em adolescente dopada, mas depoimentos posteriores apontam possível entrega da criança; buscas continuam e caso mobiliza equipes da Polícia Civil
07/08/2026 16h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

O desaparecimento de uma recém-nascida de apenas 28 dias, registrado na madrugada desta sexta-feira (7) em Campo Grande, ganhou novos contornos e passou a ser tratado pela Polícia Civil como um caso cercado de contradições. A versão inicial apresentada pela família — de que a bebê teria sido sequestrada após a mãe ser dopada — agora é confrontada por uma nova linha de investigação: a possibilidade de a criança ter sido entregue para quitar dívidas do pai, apontado como integrante de facção criminosa.

O caso provocou forte repercussão na Capital e mobilizou equipes da Polícia Civil desde as primeiras horas da manhã. Segundo o relato inicial dos familiares, a mãe da bebê, uma adolescente de 17 anos, teria conhecido a suspeita durante a gestação, por meio de um grupo de doações. A mulher teria prometido roupas, carrinho e até um book de fotos gratuito para a criança.

Na quinta-feira (6), a suspeita teria convidado a adolescente para cuidar de um bebê de seis meses em sua residência, oferecendo R$ 100 pelo serviço e autorizando que ela levasse a recém-nascida. A jovem foi até o local acompanhada da irmã, de 13 anos, em um carro de aplicativo pago pela própria suspeita.

De acordo com a versão apresentada inicialmente à polícia, ao chegar à casa a adolescente pediu água e, nesse momento, a irmã teria sido levada para os fundos do imóvel. Um homem que já estaria na residência teria pressionado um pano contra o rosto da mãe da bebê, fazendo-a desmaiar. Ela teria sido amarrada e trancada em um banheiro, enquanto a irmã permaneceu presa em um quarto junto da recém-nascida.

As duas adolescentes disseram ter ficado no imóvel até a madrugada, quando foram libertadas sem a criança e abandonadas próximas a uma área de mata na Avenida Guaicurus, na região da UPA Universitária.

No entanto, durante o avanço das investigações, os depoimentos passaram a apresentar inconsistências. Segundo apuração da Polícia Civil, a mãe da bebê e uma tia da criança teriam posteriormente afirmado que não houve sequestro, mas sim que a recém-nascida teria sido entregue a uma mulher como forma de pagamento de dívidas atribuídas ao pai da criança, descrito como faccionado.

A polícia trabalha agora para esclarecer qual das versões corresponde aos fatos e identificar todos os envolvidos. A principal preocupação dos investigadores é localizar a bebê com vida e em segurança.

Apesar da mudança na linha investigativa, as buscas continuam. Equipes da Polícia Civil realizam diligências para encontrar a recém-nascida e verificar se houve participação de outras pessoas no desaparecimento da criança.

Até o momento, ninguém havia sido oficialmente preso em relação ao caso, e a investigação segue em andamento sob sigilo parcial devido ao envolvimento de uma recém-nascida e de adolescentes.