Política Disputa
Disputa pelo segundo voto ao Senado expõe fissuras na aliança de Riedel em MS
Reinaldo Azambuja concentra apoio dentro da coligação, enquanto Capitão Contar enfrenta resistência de aliados que ainda carregam divergências das disputas de 2022; cenário abre espaço para Soraya e Vander
12/08/2026 14h30
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A campanha para as duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado começa a revelar uma disputa que vai muito além das urnas: a batalha pelo segundo voto dentro da própria aliança que sustenta o projeto de reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

Embora o PL tenha definido Capitão Contar e Reinaldo Azambuja como seus nomes para o Senado, a formação da chapa não significa, automaticamente, que os dois terão o mesmo tratamento entre os aliados. Nos bastidores, Contar enfrenta resistência de integrantes da coligação, enquanto Reinaldo aparece como o nome com maior capacidade de mobilização política dentro do grupo.

A dificuldade tem origem nas antigas disputas. Contar foi adversário de Reinaldo quando o atual candidato ao Senado comandava o Governo de Mato Grosso do Sul e protagonizou uma forte oposição na Assembleia Legislativa. Em 2022, voltou a enfrentar o grupo ao disputar o Governo do Estado contra Riedel no segundo turno.

O desgaste daquela época ainda aparece nos bastidores da atual campanha. Segundo relatos de candidatos ouvidos pela reportagem, há integrantes da coligação que não pretendem colocar Contar em seus materiais de campanha, mesmo diante de eventual orientação de Reinaldo para que o grupo trabalhe pelos dois candidatos do PL.

A resistência também teria alcançado setores do próprio partido. A saída de Nelsinho Trad (PSD) da disputa pela reeleição não eliminou a preferência de alguns aliados pelo senador, que vinha sendo apontado como opção para o chamado segundo voto.

A situação cria um cenário delicado para Contar. Oficialmente, ele integra a mesma chapa de Reinaldo, mas precisará construir uma rede própria de apoio entre prefeitos, vereadores, candidatos proporcionais e lideranças regionais para transformar a candidatura partidária em votos efetivos.

Pesquisas realizadas ao longo de 2026 mostram que a disputa pelas duas cadeiras está aberta. Levantamento do Instituto Ranking divulgado em junho apontava Reinaldo e Nelsinho entre os nomes mais competitivos, enquanto Contar também aparecia em posição de destaque.

A definição de Contar para a chapa do PL ocorreu apesar da disputa interna que marcou a legenda. Em julho, o partido oficializou o ex-deputado ao lado de Reinaldo, deixando de lado a indicação de Marcos Pollon, que havia recebido apoio de Jair Bolsonaro.

Agora, o desafio de Contar é transformar o apoio formal do PL em uma estrutura eleitoral capaz de enfrentar adversários que também disputam o espaço do eleitorado de direita e de centro.

Entre eles estão a senadora Soraya Thronicke (PSB) e o deputado federal Vander Loubet (PT), que buscam ocupar a segunda vaga ao lado de um eleitor que já tenha escolhido seu candidato principal. Soraya, que disputa a reeleição, vem ampliando sua presença nas redes sociais e chega à campanha com uma estrutura política própria.

Tereza Cristina entra no jogo nacional

Enquanto a disputa pelo Senado movimenta os bastidores de Mato Grosso do Sul, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também ganhou protagonismo no cenário nacional.

A parlamentar se reúne nesta quarta-feira (12) com o senador Flávio Bolsonaro (PL), após ter aceitado o convite para ser vice na chapa presidencial. A composição, entretanto, esbarrou na decisão da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de manter independência na eleição presidencial.

A reunião deverá definir a participação de Tereza na campanha de Flávio e discutir pautas consideradas estratégicas para o agronegócio.

A aproximação também pode ter reflexos na disputa política de 2027, já que Tereza mantém o projeto de disputar a Presidência do Senado. A movimentação coloca a senadora no centro de uma articulação que ultrapassa os limites de Mato Grosso do Sul.

Menos debates e uma novidade no Senado

A eleição deste ano também terá uma mudança importante na exposição dos candidatos. Enquanto a disputa pelo Governo do Estado terá menos debates do que em eleições anteriores, os candidatos ao Senado deverão protagonizar um confronto inédito na TV Morena.

O debate entre os postulantes às duas vagas está previsto para a primeira quinzena de setembro. Já para o Governo, estão confirmados confrontos na Morena FM, no dia 17 de agosto, e no Midiamax, em 21 de setembro. Riedel confirmou participação nos dois debates previstos para setembro e justificou a escolha pela necessidade de conciliar a agenda eleitoral com as responsabilidades do cargo de governador.

Em 2018, o cenário era diferente: os candidatos ao Governo participaram de seis debates, embora Reinaldo Azambuja tenha faltado a metade deles.

A eleição de 2026, portanto, começa a ser definida não apenas pelas alianças oficiais, mas também pela capacidade de cada candidato de construir uma rede própria de apoio. Para Contar, o desafio é particularmente sensível: terá o respaldo formal do PL e de Reinaldo Azambuja, mas precisará convencer parte da própria base aliada a transformar esse apoio político em voto.

É justamente nessa disputa silenciosa pelo segundo voto que poderá estar uma das chaves da eleição para o Senado em Mato Grosso do Sul.