Mato Grosso do Sul Desabamento
Três pontes caíram e Riedel dá ultimato: estruturas da mesma empreiteira podem ser implodidas em MS
Após novo desabamento com morte, governador manda vistoriar as quatro pontes restantes e avisa que não vai esperar outra tragédia para agir
14/08/2026 15h30
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

Três pontes construídas pela mesma empreiteira já desabaram em Mato Grosso do Sul. A mais recente foi a estrutura sobre o Rio Taquari, que caiu na quinta-feira (13) e matou um motorista de caminhão. Diante da sequência de colapsos, o governador Eduardo Riedel (PP) adotou uma postura dura e determinou uma avaliação imediata das quatro pontes restantes construídas pela empresa.

A resposta do governador foi direta: se os laudos apontarem que as estruturas não podem ser recuperadas com segurança, elas poderão ser implodidas preventivamente. Riedel não descartou a medida e deixou claro que o Estado não pretende esperar que outra ponte desabe para tomar uma decisão.

“Se a gente tiver que implodir, nós vamos implodir”, afirmou o governador nesta sexta-feira (14), durante encontro com empresários em Campo Grande.

Três quedas acenderam o alerta

Das sete pontes construídas pela mesma empreiteira em gestões anteriores, três já cederam. Além da ponte do Rio Taquari, estão na lista a estrutura sobre o Rio do Peixe, em Rio Negro, que caiu em fevereiro deste ano durante a passagem de uma carreta bitrem, e a ponte sobre o Rio Santo Antônio, em Guia Lopes da Laguna, que desabou em 2016.

O histórico ganha ainda mais gravidade porque algumas dessas estruturas eram relativamente novas quando apresentaram problemas. A ponte do Rio Santo Antônio, por exemplo, havia sido inaugurada em 2012 e desabou menos de quatro anos depois. Perícia posterior apontou falhas de projeto e execução.

Agora, o Governo de MS quer descobrir se existe um problema semelhante nas quatro pontes que continuam de pé.

Governo parte para o pente-fino

A Agesul contratou uma empresa especializada em engenharia de pontes para analisar as quatro estruturas restantes. O diagnóstico deverá ficar pronto em um a dois meses e será decisivo para determinar se haverá reforço estrutural ou demolição preventiva.

A ordem é evitar que a população seja exposta novamente ao risco. Depois de três colapsos envolvendo estruturas da mesma empreiteira, o Estado decidiu não tratar o problema como casos isolados.

Riedel aponta mudança no peso das cargas

Além da idade das estruturas, Riedel chamou atenção para o crescimento do transporte de cargas nas rodovias estaduais. As pontes foram construídas há aproximadamente duas décadas, quando o perfil do tráfego era diferente.

Segundo o governador, atualmente circulam pelo Estado combinações de caminhões de nove eixos com cargas superiores a 100 toneladas, submetendo estruturas antigas a esforços muito maiores. No caso da ponte do Rio Taquari, a passagem de um veículo com sobrepeso é apontada como possível fator relacionado ao colapso.

Conta milionária e risco para a população

Os desabamentos também deixaram uma conta pesada para os cofres públicos. A reconstrução da ponte do Rio do Peixe está estimada em cerca de R$ 13 milhões, enquanto a nova estrutura sobre o Rio Taquari poderá custar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões, segundo estimativa preliminar apresentada por Riedel.

A posição do governador, portanto, é de agir antes que o problema se transforme em uma nova tragédia: as quatro pontes restantes serão submetidas a um raio-X técnico e, se forem consideradas inseguras e sem possibilidade de reforço, poderão ser colocadas abaixo antes que caiam sozinhas.

O recado de Riedel é inequívoco: depois de três pontes no chão, o Estado não vai esperar a quarta queda para agir.