Três pontes construídas pela mesma empreiteira já desabaram em Mato Grosso do Sul. A mais recente foi a estrutura sobre o Rio Taquari, que caiu na quinta-feira (13) e matou um motorista de caminhão. Diante da sequência de colapsos, o governador Eduardo Riedel (PP) adotou uma postura dura e determinou uma avaliação imediata das quatro pontes restantes construídas pela empresa.
A resposta do governador foi direta: se os laudos apontarem que as estruturas não podem ser recuperadas com segurança, elas poderão ser implodidas preventivamente. Riedel não descartou a medida e deixou claro que o Estado não pretende esperar que outra ponte desabe para tomar uma decisão.
“Se a gente tiver que implodir, nós vamos implodir”, afirmou o governador nesta sexta-feira (14), durante encontro com empresários em Campo Grande.
Das sete pontes construídas pela mesma empreiteira em gestões anteriores, três já cederam. Além da ponte do Rio Taquari, estão na lista a estrutura sobre o Rio do Peixe, em Rio Negro, que caiu em fevereiro deste ano durante a passagem de uma carreta bitrem, e a ponte sobre o Rio Santo Antônio, em Guia Lopes da Laguna, que desabou em 2016.
O histórico ganha ainda mais gravidade porque algumas dessas estruturas eram relativamente novas quando apresentaram problemas. A ponte do Rio Santo Antônio, por exemplo, havia sido inaugurada em 2012 e desabou menos de quatro anos depois. Perícia posterior apontou falhas de projeto e execução.
Agora, o Governo de MS quer descobrir se existe um problema semelhante nas quatro pontes que continuam de pé.
A Agesul contratou uma empresa especializada em engenharia de pontes para analisar as quatro estruturas restantes. O diagnóstico deverá ficar pronto em um a dois meses e será decisivo para determinar se haverá reforço estrutural ou demolição preventiva.
A ordem é evitar que a população seja exposta novamente ao risco. Depois de três colapsos envolvendo estruturas da mesma empreiteira, o Estado decidiu não tratar o problema como casos isolados.
Além da idade das estruturas, Riedel chamou atenção para o crescimento do transporte de cargas nas rodovias estaduais. As pontes foram construídas há aproximadamente duas décadas, quando o perfil do tráfego era diferente.
Segundo o governador, atualmente circulam pelo Estado combinações de caminhões de nove eixos com cargas superiores a 100 toneladas, submetendo estruturas antigas a esforços muito maiores. No caso da ponte do Rio Taquari, a passagem de um veículo com sobrepeso é apontada como possível fator relacionado ao colapso.
Os desabamentos também deixaram uma conta pesada para os cofres públicos. A reconstrução da ponte do Rio do Peixe está estimada em cerca de R$ 13 milhões, enquanto a nova estrutura sobre o Rio Taquari poderá custar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões, segundo estimativa preliminar apresentada por Riedel.
A posição do governador, portanto, é de agir antes que o problema se transforme em uma nova tragédia: as quatro pontes restantes serão submetidas a um raio-X técnico e, se forem consideradas inseguras e sem possibilidade de reforço, poderão ser colocadas abaixo antes que caiam sozinhas.
O recado de Riedel é inequívoco: depois de três pontes no chão, o Estado não vai esperar a quarta queda para agir.