O mercado de hortifrútis de Mato Grosso do Sul entrou em uma semana de forte contraste nos preços. Enquanto frutas com oferta mais restrita ficaram mais caras, produtos favorecidos pelo avanço da colheita registraram redução nas cotações.
O levantamento da Ceasa/MS, referente ao período de 10 a 15 de agosto, mostra que não existe uma tendência única no mercado. Quatro produtos subiram e quatro tiveram redução, em um cenário diretamente influenciado pelo estágio das safras, pela disponibilidade nos Estados fornecedores e pelo comportamento da procura.
Entre as maiores altas está a manga Palmer e Tommy, que avançou 14,29%. A caixa de seis quilos passou de R$ 70 para R$ 80. A oferta mais controlada no mercado interno e o comportamento das exportações contribuíram para a valorização.
O movimento também atingiu o limão Tahiti, que subiu 9,09%, e a maçã, com alta de 8,33%. Nos dois casos, a redução da disponibilidade nas regiões produtoras ajudou a pressionar os preços.
Um dos sinais mais claros de pressão no mercado aparece no tomate Longa Vida. O produto chegou à terceira semana consecutiva de aumento, com a caixa de 25 quilos passando de R$ 120 para R$ 130.
A elevação está relacionada à diminuição do volume disponível para colheita e ao encerramento da produção em algumas regiões fornecedoras.
O comportamento do tomate chama atenção porque mostra como o fim de determinados ciclos de produção pode alterar rapidamente o preço praticado no atacado.
Se de um lado algumas frutas pressionam os preços, do outro a batata inglesa começa a oferecer um cenário mais favorável aos compradores.
A saca de 25 quilos caiu de R$ 160 para R$ 150, redução de 6,25%. O principal fator é o avanço da safra de inverno, que aumenta o volume disponível no mercado.
A cebola nacional seguiu o mesmo caminho. A saca de 20 quilos passou de R$ 75 para R$ 70, acompanhando o aumento da oferta durante o período de maior colheita.
Entre os produtos pesquisados, o maior recuo foi registrado pelo mamão Havaí. A caixa de 10 quilos caiu de R$ 80 para R$ 70, uma redução de 12,50%.
A queda ocorre principalmente pelo aumento da oferta nacional, especialmente da produção baiana, enquanto a demanda se manteve menos aquecida.
A melancia também ficou mais barata, passando de R$ 2,90 para R$ 2,80 o quilo. O aumento da produção em Goiás e Tocantins contribuiu para ampliar a disponibilidade no atacado.
O cenário da Ceasa/MS reforça que os preços dos hortifrútis podem mudar rapidamente de uma semana para outra. O consumidor não deve esperar uma trajetória uniforme de alta ou queda, já que cada produto responde de maneira diferente ao ciclo de produção.
Nas próximas semanas, o avanço das colheitas, o clima, a oferta das regiões produtoras e o ritmo da demanda devem continuar determinando as cotações.
Para quem compra no atacado, o momento exige atenção: enquanto produtos em entressafra tendem a ganhar valor, aqueles que entram em período de maior oferta podem apresentar novas quedas.