A eleição de 2026 começa a revelar o tamanho da força política construída pelo governador Eduardo Riedel (PP) em Mato Grosso do Sul. Em uma demonstração de articulação nos municípios, 77 dos 79 prefeitos do Estado participaram, nesta terça-feira (18), de uma reunião política em Campo Grande para alinhar a campanha pela reeleição do governador e as candidaturas ao Senado.
O encontro ocorreu na sede do PL e reuniu Riedel, a senadora Tereza Cristina (PP), o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), o vice-governador Barbosinha (Republicanos), Capitão Contar (PL) e outras lideranças do grupo formado por PP, PL, União Brasil, Republicanos, Avante e PSDB.
O número de prefeitos presentes ganhou peso político porque, em 2022, Riedel contava com o apoio de 75 dos 79 chefes de Executivo municipal. Agora, a articulação indica que o governador chega à nova disputa com uma base municipal ainda mais ampla.
Apenas dois prefeitos não participaram presencialmente: Adriane Lopes (PP), de Campo Grande, e Marçal Filho (PP), de Dourados. Os dois, entretanto, já declararam apoio à reeleição de Riedel.
Adriane justificou a ausência alegando compromissos relacionados à administração da Capital e afirmou estar alinhada ao governador. Marçal, por sua vez, chegou a publicar vídeo nas redes sociais demonstrando apoio à chapa formada por Riedel e Reinaldo.
Durante o encontro, Riedel destacou a relação construída com os municípios durante o mandato e transformou a reunião em um chamado para a campanha.
O governador agradeceu aos prefeitos pela parceria e afirmou que seu compromisso com os municípios está consolidado. Na sequência, convocou os gestores a entrarem diretamente na disputa eleitoral.
“Vamos arregaçar as mangas, ir para a rua e pedir o voto”, afirmou Riedel, ao defender a mobilização das lideranças municipais.
A estratégia é clara: transformar a estrutura política construída ao longo do mandato em uma rede de apoio eleitoral capaz de levar a campanha para dentro dos municípios.
Se a reunião serviu para mostrar a força de Riedel, também teve um significado especial para Capitão Contar.
Quatro anos depois de disputar o Governo de Mato Grosso do Sul contra o grupo que hoje integra, Contar esteve lado a lado com Riedel e Reinaldo diante de dezenas de prefeitos. O candidato ao Senado aproveitou o encontro para pedir desculpas pelas declarações feitas durante a campanha de 2022 e tentar reconstruir pontes com os gestores municipais.
Segundo prefeitos presentes, Contar reconheceu que adotou uma postura de distanciamento e fez críticas duras aos gestores que apoiavam Riedel naquela eleição. Agora, afirma enxergar de outra maneira a administração estadual e a relação construída entre Governo e municípios.
A mudança de postura tem um objetivo eleitoral evidente: conquistar o segundo voto para o Senado.
Na disputa deste ano, cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado. Reinaldo Azambuja já deixou claro que seu candidato é Contar, mas reconheceu que alguns prefeitos poderão escolher outro nome para o segundo voto.
A disputa pelo segundo voto ganhou ainda mais importância porque parte dos prefeitos presentes mantém compromisso político com outros candidatos ao Senado.
Durante a reunião, estavam gestores que já declararam apoio a Vander Loubet (PT), entre eles Juliano Ferro e Júnior Buguelo. A presença mostra que o apoio a Riedel não significa necessariamente uma adesão automática a todos os candidatos da chapa.
É justamente nesse espaço que Contar precisa avançar.
Reportagens recentes apontaram resistência de parte dos prefeitos ao nome do candidato do PL por conta das mágoas deixadas pela campanha de 2022. A movimentação de Contar, portanto, representa uma tentativa de transformar o discurso de oposição de quatro anos atrás em uma relação de diálogo com os mesmos prefeitos que agora podem ser decisivos para sua candidatura ao Senado.
O encontro também simboliza uma das maiores mudanças do cenário político de Mato Grosso do Sul desde a eleição passada.
Em 2022, Riedel e Contar foram adversários na disputa pelo Governo e chegaram ao segundo turno. Agora, os dois estão no mesmo palanque, enquanto Reinaldo Azambuja, que também esteve no centro daquela disputa, é candidato ao Senado pelo PL.
A aliança reúne diferentes grupos da direita e do centro e aposta na força dos prefeitos para consolidar o projeto de continuidade do atual governo.
Para Riedel, a fotografia com 77 prefeitos funciona como demonstração de capilaridade política. Para Contar, o encontro representa uma oportunidade de reconstruir relações e diminuir resistências.
Do outro lado da disputa, o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD) tenta construir uma candidatura de oposição ao grupo que governa Mato Grosso do Sul.
Delcídio teve sua candidatura ao Governo oficializada pela Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, e apresenta um discurso de mudança em relação ao modelo administrativo adotado no Estado.
No plano de governo, o candidato critica áreas como saúde e segurança pública e propõe rever parcerias público-privadas e organizações sociais na saúde. Também defende ações de combate ao feminicídio e mudanças na política de segurança.
A presença de Delcídio acrescenta mais um componente à disputa, que começa a se desenhar entre um grupo governista com ampla rede municipal e candidaturas que buscam conquistar espaço como alternativa ao atual governo.
O encontro de terça-feira deixa um recado político importante: Riedel chega à eleição com uma estrutura municipal praticamente unificada.
A presença de 77 prefeitos, somada ao apoio declarado dos dois que não compareceram, dá ao governador uma vantagem política relevante na largada da campanha.
Mas a eleição para o Senado apresenta uma dinâmica diferente. Mesmo dentro do grupo de Riedel, os prefeitos podem dividir o segundo voto entre diferentes candidatos.
É nesse cenário que Contar tenta transformar o pedido de desculpas em votos, enquanto Reinaldo trabalha para consolidar sua própria candidatura e Vander Loubet busca furar a estrutura governista.
A disputa, portanto, começa com uma fotografia favorável a Riedel no interior, mas com uma batalha muito mais aberta pelas duas cadeiras do Senado.