A regionalização da saúde será uma das principais frentes do plano de governo do governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, para o período de 2027 a 2030. A proposta prevê ampliar a oferta de consultas, exames e procedimentos especializados no interior e reduzir a necessidade de pacientes se deslocarem para outras regiões em busca de atendimento.
O modelo apresentado pela candidatura pretende organizar a rede estadual em diferentes níveis de complexidade, com maior integração entre os serviços municipais, regionais e os hospitais de referência. A estratégia dá continuidade a uma política que já vem sendo implementada pelo Governo de Mato Grosso do Sul.
Em 2025, o Estado apresentou às prefeituras uma nova arquitetura para a rede hospitalar, com a proposta de descentralizar serviços de média e alta complexidade. O Plano Diretor de Regionalização também estabeleceu uma divisão do Estado em quatro macrorregiões e nove regiões de saúde.
Entre as medidas previstas está a ampliação da saúde digital. A Telessaúde deverá ser expandida para permitir que pacientes do interior tenham acesso a especialistas sem precisar viajar para outros municípios.
O Plano Estadual de Saúde 2024-2027 já estabelecia como meta ampliar os serviços de Telessaúde para os 79 municípios, incluindo teleconsultoria, teleinterconsulta e telediagnóstico.
Para o próximo ciclo, a proposta é ampliar esse modelo e integrar as ferramentas digitais ao sistema de regulação e aos demais serviços da rede.
Na alta complexidade, o plano de Riedel prevê a ampliação do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. O projeto de parceria público-privada prevê elevar a capacidade da unidade de 362 para 577 leitos.
Segundo informações apresentadas pelo governo, a expansão faz parte da reorganização da rede hospitalar e deverá permitir que a unidade concentre atendimentos de maior complexidade, enquanto hospitais regionais absorvem parte da demanda que atualmente chega à Capital.
A ampliação, entretanto, ainda é um projeto em execução. Os 577 leitos não representam a capacidade atualmente disponível no hospital.
Para um eventual segundo mandato, Riedel também incluiu no plano a implantação e o funcionamento do Hospital Regional do Pantanal.
A unidade aparece entre as medidas destinadas a ampliar a estrutura regional de atendimento e reduzir a concentração dos serviços de maior complexidade em Campo Grande. O plano também prevê o fortalecimento dos hospitais de média complexidade.
Outra frente prevista é a integração da regulação entre Estado e municípios. A proposta busca organizar o encaminhamento dos pacientes conforme a necessidade clínica e a capacidade de cada unidade.
O Governo de Mato Grosso do Sul já trabalha com um modelo de regulação integrada. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a iniciativa pretende dar maior fluidez ao encaminhamento de pacientes para leitos compatíveis com a complexidade de cada caso.
Para 2027 a 2030, a candidatura propõe ampliar essa integração, juntamente com a utilização de dados e ferramentas de inteligência em saúde.
O plano não se limita à assistência hospitalar. A proposta prevê o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, sanitária e ambiental e o aprimoramento da resposta estadual a emergências de saúde pública.
A intenção é ampliar a capacidade de prevenção e monitoramento de doenças e riscos sanitários, articulando essas ações com a estrutura regionalizada.
Com isso, a proposta de Riedel para a saúde combina três frentes principais: descentralização dos serviços, expansão da estrutura hospitalar e uso de tecnologia para integrar a rede. O desafio, caso seja reeleito, será transformar as metas previstas no plano em serviços efetivamente disponíveis nas diferentes regiões do Estado.