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Morenão entra na reta de recuperação e mira volta dos grandes jogos em 2027
Presidente da CBF vistoria obras em Campo Grande, que já retiraram 60 caminhões de terra e grama; reforma do estádio soma investimentos de cerca de R$ 18 milhões
02/09/2026 14h30
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

O Morenão começa a deixar para trás os anos de abandono e entra em uma nova fase de recuperação. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, vistoriou nesta quarta-feira (2) as obras no Estádio Universitário Pedro Pedrossian, em Campo Grande, acompanhado pelo presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), Estevão Petrallás.

A visita ocorre em um momento decisivo para o principal estádio de futebol de Mato Grosso do Sul, fechado para grandes partidas desde 2022. A expectativa da administração é que o espaço volte a receber público e eventos de maior porte já em janeiro de 2027.

Apesar da presença do presidente da CBF, Xaud e Petrallás não falaram com a imprensa durante a vistoria. Coube ao administrador do Morenão, André Chita, detalhar o avanço dos trabalhos.

Gramado é primeira grande transformação

A recuperação começou pelo campo. Aproximadamente 60 caminhões de terra e grama antiga já foram retirados. O novo sistema de irrigação também foi concluído, testado e automatizado.

Agora, o terreno passa pela etapa de nivelamento, que deverá consumir outros cerca de 60 caminhões de areia. Na sequência, será feito o plantio do novo gramado natural.

A troca do campo é financiada pela CBF em parceria com a FFMS e representa investimento estimado em R$ 1,8 milhão, segundo a administração do estádio.

Governo prepara transformação estrutural

Depois da recuperação do gramado, o Governo de Mato Grosso do Sul deverá avançar nas intervenções estruturais. O projeto prevê aproximadamente R$ 16,7 milhões para modernização do estádio.

Estão previstas obras em arquibancadas, cabines de imprensa, acessibilidade, instalações elétricas e hidráulicas, refletores, segurança, rotas de fuga e demais estruturas necessárias para adequar o estádio às exigências atuais.

Também estão no planejamento melhorias no sistema de prevenção e combate a incêndios, fechamento dos fossos, instalação de guarda-corpos e corrimãos, novos portões, reforma da pista de atletismo e aprimoramentos na drenagem.

A primeira etapa de reabertura deverá ser parcial, com o setor coberto preparado para receber aproximadamente 12 mil torcedores.

De estádio abandonado a possível arena

O plano para o Morenão, porém, não termina com a reforma atual. O Governo do Estado estuda uma Parceria Público-Privada (PPP) para transformar o complexo em uma arena capaz de receber partidas de futebol e outros grandes eventos.

O Estado já avançou na contratação de consultoria especializada para estruturar estudos de concessão do estádio, em um movimento que pode definir o futuro do espaço depois da revitalização.

A ideia é que o Morenão deixe de ser apenas um estádio esportivo e passe a funcionar como um complexo de eventos, garantindo utilização permanente e uma estrutura mais moderna para o público.

Novo centro reforça aposta na formação

A agenda de Samir Xaud em Campo Grande também inclui a inauguração do Centro de Desenvolvimento do Futebol, na Vila Nasser. O complexo recebeu investimento estimado em R$ 14 milhões e conta com campo oficial de 105 por 68 metros, gramado sintético, arquibancadas, vestiários, estacionamento, ambientes climatizados e iluminação para jogos noturnos.

O espaço será voltado a escolinhas, competições amadoras, categorias de base e projetos ligados ao futebol feminino. A estrutura integra o legado da Copa do Mundo de 2014.

Para o futebol sul-mato-grossense, a combinação entre o novo centro de formação e a recuperação do Morenão representa uma tentativa de reconstruir a estrutura esportiva do Estado — começando pela base e mirando novamente os grandes jogos no principal estádio de Mato Grosso do Sul.