A rotina de atendimento nas unidades básicas de saúde de Campo Grande passa a seguir novas regras estabelecidas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). A mudança alcança as Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF) e estabelece procedimentos para organizar desde consultas agendadas até casos de urgência.
As novas diretrizes foram publicadas no Diário Oficial do Município e detalham como os serviços devem funcionar diante de situações que frequentemente geram dúvidas aos usuários, como atrasos, faltas, reuniões das equipes e procura por atendimento sem agendamento. A publicação ocorre em um momento de reorganização da rede municipal de saúde. A própria Prefeitura anunciou recentemente ajustes nos horários e na distribuição das jornadas de trabalho em diferentes unidades.
Uma das principais mudanças para o usuário está no controle dos horários. Quem tem consulta marcada deverá chegar 15 minutos antes. A tolerância para atraso será de apenas 10 minutos. Já o paciente que não puder comparecer deverá comunicar ou cancelar a consulta com pelo menos 24 horas de antecedência.
Quando houver falta sem aviso, a ausência deverá ser registrada no prontuário eletrônico. A vaga poderá ser aproveitada por outro paciente no mesmo dia, enquanto o Agente Comunitário de Saúde (ACS) poderá realizar busca ativa para identificar o motivo da falta.
As reuniões internas das equipes de saúde continuam previstas na rotina das unidades, mas a população deverá ser informada previamente sobre a data e o horário.
Durante esses períodos, a unidade de referência não ficará completamente sem atendimento. Conforme as novas orientações, uma unidade vizinha, definida pelo Distrito Sanitário, deverá receber os moradores que apresentarem situações de urgência ou demandas agudas.
A medida busca evitar que reuniões administrativas das equipes resultem em desassistência para quem precisa de atendimento imediato.
Outra mudança importante está no atendimento de quem chega ao posto sem consulta marcada apresentando dor ou algum sintoma agudo.
O paciente deverá passar pela chamada Escuta Qualificada/Classificação de Risco, realizada por profissional de nível superior. A ordem de chegada deixa de ser o único critério: a prioridade será determinada pela gravidade do quadro.
Na classificação:
A regra reforça que o posto de saúde não funcionará simplesmente pelo sistema de “chegou primeiro, será atendido primeiro” quando houver situações clínicas diferentes.
Outra exigência prevista é a entrega de um Comprovante de Consulta Agendada, que poderá ser impresso ou disponibilizado digitalmente.
O documento deverá trazer informações como nome do paciente, CPF ou Cartão SUS, unidade e equipe responsável, profissional que fará o atendimento, data e horário da consulta, além das regras referentes a atrasos e cancelamentos.
As novas orientações alcançam ainda o atendimento odontológico.
Casos classificados como de alto risco, como dor intensa, abscessos com inchaço facial, sangramentos e traumas na boca, deverão ser atendidos imediatamente no mesmo turno.
Problemas considerados de médio risco, como restaurações quebradas acompanhadas de dor leve ou determinadas dores provocadas por cáries, terão atendimento no mesmo dia ou em até 48 horas. Já procedimentos de rotina, como limpeza, avaliação e próteses, permanecem sujeitos ao agendamento convencional.
Para pacientes que precisam de exames complexos ou consultas com especialistas, uma das determinações mais importantes é que as solicitações não fiquem paradas na unidade.
O profissional responsável deverá inserir o pedido diretamente no SISREG, sistema utilizado para a regulação dos atendimentos. O usuário também poderá acompanhar a situação do encaminhamento junto à unidade de referência.
A medida estabelece um fluxo mais direto para os pedidos e busca evitar que solicitações permaneçam retidas nos postos sem encaminhamento para a regulação.
As novas regras passam a orientar o funcionamento da atenção primária da Capital e colocam sobre usuários e equipes responsabilidades específicas para reduzir faltas, organizar a demanda e estabelecer critérios de prioridade. A mudança ocorre enquanto a Sesau também promove uma reorganização operacional da rede municipal.