Geral Paralisação
Caixa enfrenta greve em MS após proposta ser rejeitada por 87,59% dos bancários
Paralisação começa nesta quinta-feira e não tem prazo para terminar; trabalhadores cobram avanços no Saúde Caixa, carreira, remuneração e condições de trabalho
09/09/2026 12h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

Os clientes da Caixa Econômica Federal em Mato Grosso do Sul devem encontrar as agências fechadas a partir desta quinta-feira (10). Os empregados do banco iniciam uma greve por tempo indeterminado após rejeitarem a proposta apresentada pela instituição durante as negociações do novo acordo coletivo. A paralisação alcança a base do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região, que reúne trabalhadores da Capital e de outros 27 municípios.

A insatisfação ficou evidente na votação realizada nos dias 3 e 4 de setembro. Do total de empregados que participaram da assembleia, 87,59% rejeitaram a proposta da Caixa, resultado que abriu caminho para a paralisação.

Entre os principais pontos de tensão estão o Saúde Caixa, a política de remuneração, desenvolvimento profissional e carreira, além das condições de trabalho. Os bancários também reivindicam avanços na Funcef, medidas de combate ao assédio e a manutenção de direitos previstos no acordo atualmente vigente.

Um dos focos da negociação é justamente o plano de saúde. Representantes dos trabalhadores afirmam que o modelo de custeio e a sustentabilidade do Saúde Caixa estão entre os temas que mais provocaram resistência à proposta apresentada pelo banco. A categoria também questiona o ganho real oferecido na negociação.

Mobilização cresce antes da paralisação

Na tentativa de organizar o movimento, o sindicato convocou os empregados para uma plenária realizada nesta quarta-feira (9), às 18h, na sede da entidade, em Campo Grande.

A orientação faz parte da preparação para o início da greve e ocorre em meio à expectativa de que as negociações possam ser retomadas. O sindicato também alertou os clientes para que antecipassem operações presenciais antes do início da paralisação.

A presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região, Neide Rodrigues, afirmou que, após a rejeição da proposta, a prioridade passou a ser estruturar o movimento e manter a pressão sobre a Caixa.

Movimento não é isolado

A paralisação em Mato Grosso do Sul faz parte de uma mobilização nacional dos empregados da Caixa. Segundo dados divulgados pelas entidades sindicais, 128 bases rejeitaram a proposta apresentada pelo banco e 93 aprovaram greve por tempo indeterminado.

O resultado da Caixa também chamou atenção porque, na mesma rodada de negociações, trabalhadores de outras instituições aprovaram suas propostas. Na base de Campo Grande, por exemplo, o acordo dos bancos privados teve 72,12% de aprovação, enquanto o BRB foi aprovado por unanimidade e o Banco do Brasil recebeu 51,72% dos votos favoráveis.

Caixa diz que mantém negociação

Mesmo com a paralisação marcada, a Caixa afirma que mantém o diálogo aberto com as entidades que representam os empregados. Em nota, o banco declarou que busca uma solução para a renovação dos acordos, levando em consideração a valorização dos trabalhadores, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços oferecidos à população.

Até o momento, não há prazo para o fim da greve. O encerramento dependerá da evolução das negociações entre a Caixa e os representantes dos trabalhadores. O comunicado oficial sobre a paralisação foi divulgado pelo sindicato em cumprimento às exigências da Lei nº 7.783/1989, que regulamenta o direito de greve.