O governador Eduardo Riedel (PP) defendeu a continuidade da política de incentivos fiscais de Mato Grosso do Sul e afirmou que pretende manter a estratégia caso seja reeleito. Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (15), o candidato foi questionado sobre os cerca de R$ 12 bilhões em incentivos concedidos pelo Estado e argumentou que a renúncia de parte da arrecadação está relacionada à atração de investimentos e à geração de novas receitas.
Segundo Riedel, a política resultou na atração de capital e na abertura de postos de trabalho. Ele afirmou que, nos últimos três anos e meio, foram gerados mais de 140 mil empregos e associou o resultado ao aumento da renda média e à movimentação da economia.
Ao defender a manutenção dos benefícios, o governador também citou produtos considerados essenciais, como gás de cozinha, carne e etanol, que possuem tratamento tributário diferenciado. Na avaliação apresentada por ele, o incentivo deve ser analisado não apenas pelo valor que deixa de entrar diretamente nos cofres públicos, mas pelo impacto econômico produzido posteriormente.
“Porque esse é o motor da economia e o gerador de resultados positivos para o nosso crescimento”, afirmou ao falar sobre a possibilidade de manter a política em um eventual novo mandato.
Riedel também foi questionado sobre a redução da arrecadação do ICMS provocada pela queda na oferta do gás boliviano e sobre os efeitos da expansão de setores como a celulose.
O governador afirmou que a administração precisa manter controle sobre as despesas e buscar novas fontes de receita. Segundo ele, mesmo com períodos de arrecadação abaixo da reposição inflacionária, o Estado conseguiu preservar investimentos equivalentes a aproximadamente 12% a 15% da receita corrente líquida.
A estratégia econômica apresentada pelo candidato também passa pela transformação da produção estadual. Riedel afirmou que não pretende limitar Mato Grosso do Sul à exportação de matérias-primas e citou a necessidade de agregar etapas industriais à cadeia da celulose.
“Não quero parar na fábrica de celulose. Quero a fábrica de papel, de papelão, de tissue, a distribuição, a rede logística e a Rota Bioceânica funcionando, levando para fora do país o produto acabado”, declarou.
A expansão da indústria de celulose também levou o governador a reconhecer desafios provocados pelo crescimento acelerado de municípios que recebem grandes empreendimentos.
Ao falar sobre a Arauco, em Inocência, Riedel afirmou que o Estado adotou novas exigências com base na experiência de Ribas do Rio Pardo. Entre os pontos considerados estão alojamento, transporte, segurança pública e estrutura de saúde.
O governador afirmou que Inocência tem cerca de 8 mil habitantes e já chegou a receber aproximadamente 14 mil trabalhadores ligados à implantação do empreendimento. Segundo ele, as exigências feitas à empresa foram estruturadas justamente para evitar problemas registrados em experiências anteriores.
Na área ambiental, Riedel citou três pontos que considera centrais: biodiversidade, carbono e água. Também reconheceu a existência de problemas relacionados ao Rio Pardo e afirmou que a questão precisa ser analisada.
Na educação, Riedel descartou, neste momento, a adoção de uma parceria público-privada para administrar a estrutura física das escolas estaduais, embora tenha defendido o modelo como uma possibilidade futura.
Ele explicou que, em uma PPP desse tipo, o Estado continuaria responsável pelos professores e pela parte pedagógica, enquanto a iniciativa privada poderia assumir a construção e administração do patrimônio.
O governador citou uma escola construída em Ribas do Rio Pardo por aproximadamente R$ 20 milhões a R$ 21 milhões como exemplo de investimento que poderia, em outro modelo, ser substituído por pagamento de aluguel a um parceiro privado.
Enquanto a possibilidade não avança, Riedel destacou investimentos de R$ 1,2 bilhão e reformas em cerca de 270 escolas estaduais.
A situação financeira da Santa Casa de Campo Grande também foi abordada. Riedel descartou, neste momento, uma nova intervenção no hospital e defendeu uma administração profissionalizada.
O governador afirmou que o Estado repassou R$ 149 milhões em 2024 e R$ 190 milhões até agosto de 2026 à instituição. Para ele, novos recursos devem estar acompanhados de transparência, produtividade e eficiência.
“Quero ver o que acontece lá dentro e quero aumento de produtividade para aumentar os recursos”, afirmou.
Riedel também mencionou um passivo de aproximadamente R$ 600 milhões e disse que uma nova intervenção envolveria questões jurídicas sobre quem assumiria a responsabilidade pelas dívidas.
Na segurança pública, o governador afirmou que pretende incluir o enfrentamento à violência contra a mulher na grade escolar a partir de 2027.
Ele também citou a capacitação de mais de 20 mil servidores públicos em 47 municípios para identificar sinais de violência e fortalecer a rede de proteção.
Entre as estruturas mencionadas estão 72 Salas Lilás e a construção de duas Casas da Mulher Brasileira. Riedel também afirmou que policiais militares foram preparados para atuar como oficiais de Justiça, com o objetivo de acelerar o cumprimento de medidas protetivas.
Para diversificar a economia, Riedel citou áreas como energia renovável, tecnologia, segurança alimentar e agroindustrialização.
Entre os projetos mencionados está um data center em Ivinhema abastecido por energia de biomassa. O governador também afirmou que pretende atrair novos centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação até 2030.
Para pequenos produtores e agricultores familiares, apontou infraestrutura, assistência técnica e transformação da produção como prioridades. Entre os exemplos, citou a possibilidade de instalação de uma pequena fábrica de mandioca em um assentamento para produção de farinha e outros derivados.
Ao apresentar suas propostas para um eventual segundo mandato, Riedel resumiu a estratégia em ampliar investimentos, agregar valor à produção e avançar em setores tecnológicos, mantendo a política econômica baseada na atração de empreendimentos e geração de emprego.