Cidades Viaduto
Após anos de promessas, viaduto da Coca-Cola pode finalmente sair do papel em 2027
Estado prevê lançar licitação no primeiro semestre, mas projeto ainda depende de entrega da Prefeitura e análise técnica da Agesul e da Caixa
18/09/2026 14h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Divulgação

Depois de anos de anúncios, estudos e promessas, o viaduto da Coca-Cola, em Campo Grande, ganhou uma nova previsão para avançar: a licitação poderá ser aberta no primeiro semestre de 2027. O cronograma, porém, ainda está condicionado à conclusão do projeto pela Prefeitura e às análises técnicas necessárias para liberar o processo.

A informação foi dada nesta sexta-feira (18) pelo secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara. Segundo ele, o município precisa entregar oficialmente o projeto ao Governo do Estado. Na sequência, a documentação será avaliada pela equipe da Agesul e pela Caixa Econômica Federal, já que a obra conta com recursos federais.

“É difícil cravar janeiro, porque dependemos do projeto que a Prefeitura vai nos entregar”, explicou o secretário. Apesar da cautela, Alcântara afirmou que existe possibilidade de o edital ser lançado até junho do próximo ano.

Obra terá recursos federais

A construção do viaduto estaiado já conta com recursos assegurados por meio de convênio firmado entre Mato Grosso do Sul e o Governo Federal. O acordo prevê cerca de R$ 86,1 milhões da União, dentro do Programa Mobilidade Urbana, além de aproximadamente R$ 864 mil de contrapartida estadual.

O valor atual é próximo de R$ 87 milhões, embora o secretário tenha mencionado nesta sexta-feira uma estimativa de investimento entre R$ 100 milhões e R$ 110 milhões, indicando que o custo projetado passou por atualização.

A execução ficará sob responsabilidade do Governo do Estado, enquanto a Prefeitura trabalha na elaboração e conclusão do projeto que servirá de base para a licitação.

Gargalo antigo do trânsito

O viaduto foi planejado para substituir a atual rotatória que concentra o encontro das avenidas Gury Marques, Senador Antônio Mendes Canale, Costa e Silva e Dr. Olavo Vilella de Andrade. O local é considerado um dos principais pontos de conflito viário da região sul de Campo Grande.

A expectativa é que a nova estrutura reorganize o fluxo de veículos e reduza os congestionamentos no entorno da Gury Marques. O projeto previsto pela Prefeitura é de um viaduto estaiado, com estrutura sustentada por cabos de aço.

O trecho também enfrenta problemas recorrentes em períodos de chuva. Em março de 2025, uma enxurrada provocou alagamento em uma das pistas da Avenida Dr. Olavo Vilella de Andrade, afetando o trânsito na região. No mesmo ano, intervenções foram realizadas no sistema de drenagem para melhorar o escoamento das águas.

Uma história que atravessa mais de uma década

A promessa de construir um viaduto no local não é recente. Em 2015, a Prefeitura contratou estudos de viabilidade técnica e econômica para a intervenção. Naquele momento, a estimativa inicial era de aproximadamente R$ 31 milhões, com previsão de execução em 18 meses.

Em 2016, o município chegou a anunciar a obtenção de licença prévia para a construção. O empreendimento também foi relacionado ao antigo PAC Mobilidade Urbana, mas não avançou para a execução.

A discussão voltou a ganhar força em 2025, quando Prefeitura, Governo do Estado e bancada federal passaram a articular recursos para viabilizar a obra. Em dezembro daquele ano, o convênio federal foi formalizado, garantindo a principal fonte de financiamento.

Mesmo com o dinheiro assegurado, o projeto permaneceu pendente. Em agosto deste ano, dez meses após o anúncio da obra, ainda não havia projeto concluído para permitir o avanço da licitação.

Agora, a expectativa anunciada pelo Estado é que essa etapa seja superada e que 2027 marque finalmente a abertura da licitação. A execução, entretanto, ainda dependerá das próximas fases técnicas e administrativas.