Política Segurança pública
“Não vamos permitir”: Riedel diz que facções não terão espaço em MS e fala em “guerra” contra o crime
Candidato à reeleição afirma que organizações criminosas avançam sobre municípios, disputam rotas do tráfico e pressionam moradores; ele também cobra maior participação da União na segurança
21/09/2026 16h15
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A disputa pelo território do tráfico deixou de ser, na avaliação de Eduardo Riedel (PP), um problema restrito às fronteiras de Mato Grosso do Sul. O governador e candidato à reeleição afirma que as facções estão ampliando sua presença pelo interior, recrutando jovens, intimidando moradores e tentando ocupar espaços que deveriam ser do poder público. Diante desse cenário, resumiu sua posição em uma frase: “a gente está em guerra”.

A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Na Íntegra. Segundo Riedel, PCC, Comando Vermelho e outros grupos disputam rotas utilizadas pelo tráfico e entram em confronto pelo controle de áreas. Para ele, a expansão dessas organizações torna inevitável a atuação das forças policiais.

“Eu tenho que falar isso de maneira muito transparente: a gente está em guerra. No Brasil está instalada uma guerra”, afirmou.

Como exemplo da violência associada à disputa entre criminosos, Riedel citou o caso de Cassilândia, onde Márcio Aparecido da Silva Filho, de 27 anos, e a enteada dele, de 3 anos e 8 meses, morreram em um ataque a tiros em agosto. A hipótese de conflito entre facções esteve entre as linhas investigadas.

Ao comentar o episódio, o governador afirmou que não pretende adotar uma postura de recuo diante das organizações criminosas. Na avaliação apresentada por ele, a ausência do Estado poderia abrir espaço para que grupos criminosos passem a exercer influência sobre moradores e comerciantes.

“Enquanto eu for governador do Estado, posso até sofrer críticas dessa situação, mas não vamos permitir que o crime organizado ocupe espaço, a função do Estado em Mato Grosso do Sul”, declarou.

Riedel cobra mais participação da União

Além da atuação das forças estaduais, Riedel defendeu que o governo federal amplie os investimentos destinados à segurança pública. Ele argumentou que Mato Grosso do Sul enfrenta custos elevados tanto no policiamento quanto na custódia de presos ligados ao tráfico.

O governador citou recursos destinados pelo Ministério da Justiça e afirmou que, somados à contrapartida estadual, deverão contribuir para a ampliação da estrutura do Complexo da Gameleira, em Campo Grande. O Estado e a União também renovaram recentemente por cinco anos o acordo que mantém na Capital o Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública Regional, voltado à integração de informações contra o crime organizado.

Educação e empregos entram no plano

A entrevista também foi usada pelo candidato para apresentar propostas em outras áreas. Ao falar sobre a expansão industrial de Mato Grosso do Sul, especialmente relacionada à cadeia de celulose, Riedel afirmou que a formação profissional precisará acompanhar a chegada de novos investimentos.

“Por isso a minha prioridade é a educação”, disse, defendendo a preparação de trabalhadores para ocupar as novas vagas criadas pela indústria.

Na área econômica, Riedel manteve a defesa dos incentivos fiscais como mecanismo de atração de empresas. Ele afirmou que, com a transição da Reforma Tributária, a infraestrutura e a capacidade de oferecer condições para novos empreendimentos deverão ganhar importância na disputa por investimentos.

Meta é ampliar pavimentação nos municípios

Entre as metas citadas para um eventual novo mandato está a ampliação da pavimentação urbana. Riedel reconheceu que gostaria de ter avançado mais nessa área, mas afirmou que o número de municípios com mais de 90% das vias pavimentadas passou de 20 para 38.

A estimativa apresentada pelo candidato é de que a cobertura de pavimentação nas cidades tenha saltado de aproximadamente 77% para 83% ou 84%, o equivalente a cerca de 2,7 mil quilômetros de vias.

“Eu gostaria muito de ter ido além”, reconheceu.

Para o próximo ciclo, Riedel afirmou que pretende superar os 90% de pavimentação em praticamente todos os municípios e relacionou a expansão do asfalto aos investimentos em saneamento básico.

Críticas ao cenário político nacional

O candidato também avaliou o ambiente político em Brasília e afirmou que o que classificou como “desarranjo institucional” estaria afastando parte da população da política. Segundo ele, conflitos entre instituições podem produzir reflexos sobre a estabilidade econômica, os investimentos e a segurança.

Riedel defendeu que divergências entre os Poderes sejam resolvidas por meio do diálogo institucional e afirmou que rupturas poderiam trazer consequências para a população.

No cenário internacional, o governador apontou ainda a disputa por inteligência artificial, manufatura e tecnologia como uma questão estratégica para os próximos anos. Na avaliação apresentada por ele, o domínio dessas áreas terá impacto direto na capacidade econômica e na posição dos países no cenário globa