Polícia Operação Infiltrados
Gaeco prende 12 agentes e mira esquema de desvio de cocaína para o tráfico em MS
,mpre 26 mandados de prisão e 38 de busca em Campo Grande, Dourados e Terenos; entre os alvos estão policiais civis, militares, um policial penal e um delegado
24/09/2026 12h58
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

Uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) colocou policiais no centro de uma investigação sobre um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas pelas forças de segurança de Mato Grosso do Sul. Deflagrada na manhã desta quinta-feira (24), a Operação Infiltrados cumpre 26 mandados de prisão — 24 preventivas e dois temporários — além de 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Até o momento, 12 agentes foram presos, sendo nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Entre os investigados estão um delegado, investigadores e um ex-investigador. A operação permanece em andamento.

A investigação começou em outubro de 2025, depois que elementos encontrados durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco, apontaram para a possível participação de integrantes das forças de segurança em um esquema envolvendo principalmente cocaína.

Droga apreendida voltaria para o tráfico

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o grupo investigado teria duas formas principais de retirar os entorpecentes do circuito oficial.

Em uma delas, parte da droga efetivamente apreendida não seria incluída nos registros formais das ocorrências. Na outra, os entorpecentes seriam retirados diretamente dos depósitos de delegacias.

Depois de desviada, a droga seria repassada a traficantes ligados ao grupo, que fariam a reintrodução do material no mercado ilegal. Para o Gaeco, os agentes investigados teriam utilizado as próprias funções e estruturas públicas destinadas ao combate ao crime para viabilizar o esquema.

O nome da operação, “Infiltrados”, faz referência justamente à suspeita de que integrantes do grupo tenham atuado dentro de órgãos de segurança pública e utilizado estruturas voltadas ao combate à criminalidade para a prática dos ilícitos investigados.

Delegado é alvo e investigadores procuram imagens

Um dos alvos é o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que já passou pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e pela unidade especializada em roubos a bancos, assaltos e sequestros.

Na manhã desta quinta-feira, equipes do Gaeco foram até a residência dele, no Carandá Bosque, em Campo Grande, para cumprir os mandados. O imóvel estava vazio quando os agentes chegaram, por volta das 5h.

Os investigadores passaram a buscar imagens de câmeras de segurança instaladas na região para tentar identificar quando o delegado deixou a residência e verificar se houve movimentação incomum durante a madrugada. Até o momento, não há confirmação de que ele tenha deixado o local para evitar o cumprimento do mandado ou de que tenha recebido informação antecipada sobre a operação.

Durante as buscas, o advogado Amilton Ferreira de Almeida chegou a conversar com Hoffman por chamada de vídeo. Segundo o defensor, naquele momento, “só está tendo buscas”.

Ex-investigador também está entre os alvos

A operação também alcançou o ex-investigador Augusto Torres, que já havia sido alvo de outra investigação envolvendo a apreensão de R$ 130 mil em dinheiro.

O episódio anterior ocorreu em novembro de 2025, quando ele foi preso em flagrante. Segundo informações divulgadas à época, o dinheiro teria relação com contrabando. Posteriormente, porém, a Justiça considerou insuficientes as provas para estabelecer a finalidade criminosa do pagamento e o vínculo direto com a atividade funcional do policial, resultando em absolvição criminal. No âmbito administrativo, a Sejusp-MS concluiu pela demissão do investigador.

Agora, Augusto aparece novamente entre os alvos da investigação conduzida pelo Gaeco, desta vez por suspeita de participação no esquema de desvio de drogas.

Operação reúne forças de segurança

A ação conta com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. A OAB/MS também acompanhou diligências realizadas na residência de uma advogada.

As investigações seguem em andamento e deverão esclarecer a extensão do suposto esquema, a participação individual dos investigados e o volume de drogas que teria sido desviado das apreensões oficiais.