A prisão do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, apontado como um dos alvos da Operação Infiltrados, teve um novo desdobramento nesta sexta-feira (25). A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul determinou o afastamento compulsório dele e de outros sete investigadores presos na operação que apura o suposto desvio de drogas apreendidas, principalmente cocaína.
A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado e assinada pelo corregedor-geral da Polícia Civil, Clever José Fante Esteves. No caso de Hoffman, o afastamento tem efeito desde quinta-feira (24), data em que o mandado de prisão foi cumprido, e permanece enquanto durar a prisão preventiva determinada pela Justiça.
Com a decisão, os servidores deixam temporariamente as funções e também perdem o acesso à estrutura operacional da Polícia Civil. A Corregedoria determinou o recolhimento de armas, carteiras funcionais e demais bens públicos que estejam sob responsabilidade dos policiais.
Também foram suspensas as senhas e credenciais de acesso aos bancos de dados da instituição, incluindo os sistemas Sigo e Infoseg. Férias eventualmente programadas também deverão ser suspensas enquanto perdurar a prisão.
Além de Hoffman, foram afastados os investigadores:
As portarias também determinam que os investigados respondam a procedimento disciplinar na Corregedoria. A apuração administrativa ocorre paralelamente à investigação criminal conduzida pelo Gaeco.
A Operação Infiltrados foi deflagrada na quinta-feira (24) pelo Gaeco, com apoio das corregedorias das forças de segurança. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a investigação começou em outubro de 2025, a partir de elementos obtidos nas operações Traquetos e Blindspot.
A suspeita é de que integrantes do grupo retirassem drogas apreendidas em operações policiais antes que elas fossem integralmente registradas ou armazenadas. Outra linha investigada aponta para a retirada de entorpecentes diretamente dos depósitos de delegacias.
Ainda conforme a investigação, as drogas desviadas seriam posteriormente entregues a traficantes ligados a uma organização criminosa, que ficariam responsáveis por recolocá-las no mercado ilegal.
Hoffman não foi localizado inicialmente quando as equipes cumpriram mandado de prisão em sua residência, na manhã de quinta-feira. Horas depois, ele se apresentou na Corregedoria-Geral da Polícia Civil e foi preso. A defesa afirmou que o delegado não tinha conhecimento prévio da operação e pretende pedir a revogação da prisão.
A investigação segue sob sigilo, e a situação de cada um dos envolvidos ainda será analisada no processo. O afastamento funcional e a prisão preventiva são medidas cautelares e não representam, por si só, condenação criminal.