A onda de calor que elevou as temperaturas em Mato Grosso do Sul já provoca mudanças na rotina das escolas. A Secretaria de Estado de Educação (SED) reforçou, nesta segunda-feira (28), as medidas de proteção nas unidades da rede estadual e orientou a suspensão de atividades físicas durante os períodos de calor intenso.
A recomendação é válida enquanto as altas temperaturas representarem risco à saúde e ao bem-estar de estudantes e trabalhadores. Além de interromper exercícios físicos, as escolas devem evitar atividades que mantenham a comunidade escolar exposta ao sol por períodos prolongados.
A hidratação passa a ser uma das principais medidas de prevenção. Os estudantes devem ser incentivados a beber água várias vezes ao longo do período escolar, mesmo quando não estiverem com sede. A orientação também vale para professores e demais funcionários.
Dentro das unidades, a prioridade deve ser para salas e espaços mais frescos, ventilados e, quando disponíveis, climatizados. Ambientes fechados, cheios e com pouca circulação de ar devem ser evitados. Nas salas que recebem incidência direta do sol, cortinas e persianas podem permanecer fechadas para reduzir a entrada de radiação e o aquecimento.
As medidas reforçam procedimentos preventivos já adotados pela rede estadual durante episódios anteriores de calor extremo, especialmente em relação à hidratação, ventilação dos ambientes e identificação rápida de sinais de mal-estar.
Na Capital, a rede municipal também passou a seguir um protocolo específico para situações climáticas extremas. As regras abrangem não apenas ondas de calor, mas também episódios de fumaça, tempestades, vendavais e alagamentos.
Em dias de temperaturas elevadas, as escolas municipais devem avaliar as condições antes de manter atividades externas. Exercícios intensos ou prolongados podem ser reduzidos ou substituídos, enquanto práticas ao ar livre podem ser transferidas para horários menos quentes ou ambientes protegidos.
O protocolo também determina a manutenção de água potável, a verificação dos bebedouros e a criação de momentos regulares para hidratação. A exposição prolongada ao sol deve ser reduzida, com prioridade para locais frescos, ventilados ou climatizados.
A preocupação com os efeitos do clima nas escolas acompanha recomendações nacionais. O Cemaden publicou neste mês uma nota técnica específica sobre a preparação das redes de ensino para os possíveis impactos associados ao El Niño em 2026 e 2027, destacando a necessidade de medidas de prevenção, adaptação e resposta a eventos extremos.
A mudança na rotina não significa apenas evitar o sol. As escolas também devem observar sinais de que o organismo está sofrendo com as altas temperaturas.
Tontura, fraqueza, náusea, dor de cabeça, cãibras e desmaios estão entre os sintomas que exigem atenção. Quando alguém apresentar mal-estar, a orientação é retirar a pessoa do ambiente quente, encaminhá-la para um local fresco e ventilado e oferecer água. No caso de estudantes menores de idade, os responsáveis devem ser comunicados.
Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo 193, enquanto o Samu atende pelo 192.
O alerta ocorre em meio a uma sequência de temperaturas excepcionalmente elevadas em Mato Grosso do Sul. No fim de semana, a sensação térmica chegou a 48°C em Corumbá, enquanto Campo Grande registrou temperatura de 37,8°C, com sensação de até 42°C.
O Cemaden também aponta que Mato Grosso do Sul está entre os estados brasileiros com maior média histórica de ondas de calor, com 14,3 eventos anuais entre 1979 e 2025. O órgão destaca ainda que esses episódios tendem a se intensificar em anos de El Niño.
Com o calor persistindo, a recomendação é que estudantes levem água para a escola, usem roupas leves, reduzam a exposição direta ao sol e comuniquem imediatamente qualquer sinal de indisposição. A prioridade, neste momento, é manter a rotina escolar sem colocar a saúde da comunidade escolar em risco.