A conta que poderia virar um dos principais problemas para as finanças de Campo Grande acabou apresentando outro resultado. Mesmo com a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) cresceu 10,3% na Capital nos 12 meses encerrados em agosto deste ano, segundo o balanço financeiro publicado no Diário Oficial.
O repasse federal saltou de R$ 319 milhões para R$ 351 milhões, justamente em um período marcado pela mudança na tributação do Imposto de Renda. Antes da entrada em vigor da nova regra, a Prefeitura estimava que poderia perder pelo menos R$ 3 milhões por mês em repasses.
O resultado registrado até agosto ficou distante desse cenário. O FPM apresentou o maior crescimento percentual entre as principais receitas analisadas no balanço municipal. A evolução ocorre em um contexto de aumento da arrecadação federal: somente de janeiro a agosto de 2026, as receitas federais cresceram 11,82% nominalmente e 7,12% acima da inflação na comparação com o mesmo período de 2025.
O desempenho não ficou restrito ao FPM. A retenção do IRPF na folha de pagamentos também avançou, passando de R$ 342 milhões para R$ 359 milhões, alta de 4,9% em 12 meses.
O percentual ficou acima da inflação oficial acumulada considerada no balanço, de 4,47%.
Na prática, os dados mostram que, até agosto, a arrecadação municipal não sofreu a queda projetada com a mudança na faixa de isenção. O cenário, porém, deve continuar sendo acompanhado, já que o comportamento das receitas depende de diferentes fatores econômicos e das regras de distribuição das transferências constitucionais. A Receita Federal confirma que parte da arrecadação de IR e IPI é destinada aos municípios por meio do FPM.
Enquanto o dinheiro federal avançou dois dígitos, o ICMS, principal transferência estadual considerada no balanço, teve alta de apenas 2,4%.
O resultado colocou o repasse estadual na última posição entre as seis principais fontes analisadas. Já o IPVA teve desempenho bem superior, com crescimento de 9,4%, passando de R$ 234 milhões para R$ 256 milhões.
Entre as receitas próprias, o ISS cresceu 8,6%, de R$ 704 milhões para R$ 765 milhões. O IPTU avançou 8,1%, passando de R$ 651 milhões para R$ 704 milhões.
Somadas as principais fontes, a receita bruta da Prefeitura avançou de R$ 5,763 bilhões para R$ 6,181 bilhões em 12 meses. O crescimento foi de 7,2%, acima da inflação acumulada no período.
Mas o aumento da arrecadação veio acompanhado de uma pressão maior nas despesas. Os gastos brutos com pessoal passaram de R$ 3,574 bilhões para R$ 3,861 bilhões, alta de aproximadamente 8%.
O próprio demonstrativo fiscal mostra que a despesa do Executivo chegou a 53,89% da receita corrente líquida ajustada, acima do limite prudencial de 51,3% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal e a apenas R$ 5,95 milhões do teto de 54%.
Assim, o retrato das contas municipais no segundo quadrimestre não aponta para um colapso de arrecadação provocado pela isenção do IR. O que aparece nos números é outro desafio: a receita cresceu, mas as despesas com pessoal avançaram em ritmo ainda maior e deixaram a Prefeitura próxima do limite máximo estabelecido pela legislação fiscal.