Polícia Golpe
Golpe da renda extra drena mais de R$ 60 mil de vítima em MS e revela quadrilha que usava criptomoedas
Operação Cashback cumpre dez mandados em São Paulo e Goiás após vítima de Mato Grosso do Sul perder mais de R$ 60 mil em falsa plataforma de renda extra
29/09/2026 13h40
Por: Tatiana Lemes
Foto: Divulgação

O que parecia ser uma oportunidade de ganhar dinheiro pela internet terminou em um prejuízo superior a R$ 60 mil para uma vítima de Mato Grosso do Sul e levou a Polícia Civil a descobrir uma estrutura criminosa com atuação em diferentes Estados. A Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) deflagrou, nesta terça-feira (29), a Operação Cashback, contra suspeitos de integrar um grupo especializado em fraudes eletrônicas.

A operação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP), Anápolis (GO) e Santo Antônio do Descoberto (GO). Segundo a investigação, o núcleo do grupo estava concentrado em São Paulo e Goiás, mas as fraudes alcançavam vítimas em diferentes regiões do país.

A investigação começou depois que uma vítima sul-mato-grossense procurou as autoridades após perceber que havia caído em uma falsa proposta de renda extra. A promessa era simples: realizar tarefas relacionadas à validação e divulgação de produtos digitais em uma plataforma na internet e receber de volta os valores pagos, acrescidos de uma comissão.

O golpe, porém, era construído para ganhar a confiança da vítima antes de aumentar os prejuízos.

Nos primeiros pagamentos, os criminosos efetivamente devolviam o dinheiro e acrescentavam a comissão prometida. A estratégia dava aparência de legitimidade à plataforma e estimulava novos depósitos.

Depois, as exigências mudavam. A vítima passou a receber cobranças para fazer “recargas na plataforma” e pagar supostas “taxas de liberação”. Mais de 20 transferências foram realizadas até que a vítima percebesse que não conseguiria recuperar o dinheiro.

Estrutura digital dificultava rastreamento

O avanço da investigação revelou que a fraude não dependia apenas de contatos por mensagens. Segundo a DERCC, o grupo utilizava uma estrutura formada por sites próprios, pessoas jurídicas, criptomoedas e aplicativos de mensagens, recursos que dificultavam o rastreamento das operações e a identificação dos responsáveis.

A Polícia Civil identificou dez integrantes suspeitos de participação no esquema. Com os mandados cumpridos nesta terça-feira, os investigadores apreenderam celulares e outros dispositivos móveis que agora serão analisados.

O material poderá ajudar a polícia a reconstruir a movimentação financeira do grupo, identificar a comunicação entre os investigados e verificar a existência de outras vítimas.

Investigados respondem por três crimes

Os dez investigados foram indiciados por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de capitais. Conforme a Polícia Civil, considerando as penas previstas para os crimes investigados, a soma pode variar de oito a 21 anos de prisão, em caso de condenação.

O nome Operação Cashback faz referência justamente ao mecanismo utilizado para atrair as vítimas. A promessa de receber o dinheiro de volta, com uma comissão sobre os valores pagos, servia como principal argumento para dar aparência de negócio legítimo à fraude.

Com a apreensão dos equipamentos, a investigação entra agora em uma nova etapa, voltada ao rastreamento dos recursos e ao levantamento da extensão da rede criminosa.