A crise do tapa-buracos em Campo Grande chegou a mais um capítulo de pressão sobre a Prefeitura. A Câmara Municipal aprovou, nesta quinta-feira (15), a convocação do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, para explicar os problemas na execução dos reparos nas ruas da Capital. Ele deverá comparecer à sessão ordinária de terça-feira (20), quando os vereadores esperam respostas sobre a qualidade do serviço, os recursos empregados e a demora no atendimento das reclamações.
A cobrança ocorre em meio à insatisfação de moradores com as condições do asfalto e aos prejuízos provocados pelos buracos, que afetam o trânsito e aumentam os riscos de acidentes. O tema mobilizou diferentes parlamentares durante a sessão, com críticas à atuação do Executivo e questionamentos sobre a efetividade da operação.
O Requerimento nº 84, que formaliza a convocação, é de autoria dos vereadores Professor Riverton, Dr. Lívio, Carlos Augusto Borges, o Carlão, e Epaminondas Neto, o Papy, presidente da Casa.
Papy destacou que os vereadores apresentaram mais de 9 mil indicações relacionadas a serviços de tapa-buracos somente no primeiro semestre de 2026. Segundo ele, além das solicitações encaminhadas ao Executivo e dos requerimentos aprovados, a convocação busca pressionar por respostas diante de um problema que continua atingindo a população.
O presidente da Câmara afirmou que os parlamentares estão utilizando os instrumentos disponíveis para cobrar providências e buscar soluções efetivas. A expectativa é que o secretário apresente esclarecimentos diretamente no plenário, diante dos vereadores e da população.
Durante a sessão, Professor Riverton defendeu a presença do secretário na tribuna e contestou a atribuição dos problemas às chuvas. O vereador argumentou que os serviços deveriam ter avançado durante o período de estiagem e também mencionou a falta de pagamentos a fornecedores.
Riverton questionou a divulgação de que a Prefeitura estaria tapando 2 mil buracos por dia e cobrou resultados visíveis nas ruas. Para ele, é necessário ampliar o ritmo dos trabalhos, inclusive com equipes atuando em diferentes períodos, diante do volume de reclamações.
Dr. Lívio também criticou a situação e cobrou explicações sobre possíveis dificuldades na execução dos serviços. O parlamentar questionou se os problemas decorrem da falta de equipes, de recursos financeiros ou de decisões administrativas e políticas. Na avaliação dele, a população precisa de transparência e de resultados concretos.
A vereadora Ana Portela levou à Câmara um pedaço de asfalto para contestar a qualidade do material utilizado nos reparos. Durante a sessão, ela demonstrou que o material se desfazia com facilidade e questionou a aplicação dos recursos destinados ao tapa-buracos. A parlamentar também lembrou uma reunião anterior com o secretário para discutir o planejamento dos serviços e criticou a falta de resultados práticos.
Além da convocação, os vereadores passaram a defender uma investigação mais aprofundada sobre os contratos e a execução da operação tapa-buracos.
Maicon Nogueira cobrou esclarecimentos sobre custos, prazos e planejamento, além de defender a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O vereador também questionou os critérios utilizados para definir os locais atendidos e afirmou que os bairros com situações mais críticas precisam ser priorizados com base em critérios técnicos.
Paralelamente, a vereadora Luiza Ribeiro está reunindo assinaturas para viabilizar uma CPI destinada a investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços.
A proposta é apurar quanto está sendo gasto, como os reparos são realizados e por que os problemas persistem, apesar das cobranças encaminhadas ao Executivo. A iniciativa amplia a pressão por transparência sobre o uso do dinheiro público e pela identificação de eventuais falhas na prestação do serviço.
A convocação de André Moura Brandão deverá colocar essas questões no centro do debate na próxima sessão. Os vereadores querem explicações sobre o planejamento, a qualidade dos reparos e as medidas previstas para enfrentar o problema nas ruas de Campo Grande.
Na mesma sessão, os vereadores aprovaram o Requerimento nº 83, de autoria de Maicon Nogueira, que solicita à prefeita Adriane Lopes informações e documentos sobre as negociações envolvendo a possível aquisição das empresas integrantes do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo da Capital, pelo Grupo HP Mobilidade, por meio da empresa Maas Administração e Participações Ltda.
O documento reúne 16 questionamentos, que abrangem valores envolvidos na negociação, composição societária e fiscalização da operação do transporte público.
A aprovação amplia a cobrança do Legislativo sobre dois serviços essenciais para os campo-grandenses: a conservação das ruas e o transporte coletivo. Nos dois casos, os parlamentares exigem informações e maior transparência sobre decisões e recursos que impactam diretamente a rotina da população.