Saúde Crise
Impasse na Santa Casa: reunião com sindicato da enfermagem é suspensa e acordo fica sem data
Encontro mediado pelo Ministério Público do Trabalho discutiria medidas para reduzir a sobrecarga dos profissionais, que passaram a assumir tarefas como coleta de exames e transporte de pacientes
19/10/2026 14h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Divulgação

A tentativa de solucionar o impasse entre a Santa Casa de Campo Grande e os trabalhadores da enfermagem sofreu um novo revés nesta segunda-feira (19). A reunião que seria realizada com mediação do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) foi suspensa, sem que o motivo fosse informado pelo sindicato da categoria.

O encontro tinha como objetivo avançar na definição de medidas para reduzir a carga de trabalho dos profissionais, que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems), passaram a executar atividades além das atribuições contratadas. Uma nova data ainda não foi definida.

A suspensão prolonga uma negociação que envolve as condições de trabalho da equipe de enfermagem em meio às dificuldades enfrentadas pelo hospital. A última reunião entre as partes ocorreu em 5 de outubro, quando foram discutidas mudanças na rotina dos trabalhadores após o encerramento do contrato da Santa Casa com o laboratório responsável pelos exames.

Enfermagem assumiu tarefas de outros setores

Com o fim do contrato, enfermeiros e técnicos passaram a realizar coletas de exames, ampliando as responsabilidades da categoria. O sindicato também denunciou que profissionais eram direcionados ao transporte de pacientes, atividade atribuída aos maqueiros.

Segundo a advogada do Siems, Olívia Brandão, houve casos de trabalhadores suspensos por se recusarem a executar esse tipo de serviço. A situação passou a integrar as reivindicações da categoria nas negociações com a administração hospitalar.

Na reunião do início de outubro, a Santa Casa informou a contratação de 13 profissionais para a coleta de exames e o remanejamento de outros sete para reforçar o setor. A medida foi posteriormente confirmada pelo gestor temporário e superintendente hospitalar, Luiz Alberto Kanamura.

Hospital afirma que problema está sendo solucionado

Em manifestação anterior, Kanamura negou que a sobrecarga decorresse da falta de profissionais e atribuiu o problema à transferência de atividades antes executadas pelo laboratório contratado para a equipe de enfermagem.

O gestor afirmou que havia negociado uma solução com outro laboratório e que uma equipe específica de coleta estava sendo implantada, sem participação dos profissionais da enfermagem. Segundo ele, a questão já havia sido comunicada ao sindicato.

Apesar do anúncio, a reunião prevista para esta segunda-feira deveria avançar na apresentação definitiva das medidas para reorganizar o trabalho. Com a suspensão, a conclusão das negociações permanece pendente.

A expectativa é que um novo encontro seja agendado nos próximos dias. Até lá, seguem em discussão as atribuições dos profissionais e as medidas necessárias para evitar que tarefas de outros setores continuem sobrecarregando a equipe de enfermagem.