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Doença de Crohn: exame não invasivo é incluído no SUS
A calprotectina fecal, exame de fezes que indica inflamação intestinal, foi incorporada ao SUS em abril de 2024 e incluída no novo PCDT em maio de 2026, oferecendo aos pacientes com Doença de Crohn um método não invasivo para acompanhamento e ajud...
20/10/2026 13h37
Por: WK Notícias Fonte: Agência Dino

Para quem vive com Doença de Crohn, acompanhar a inflamação intestinal pode se tornar mais simples e menos invasivo. Incorporada ao SUS para o monitoramento de pacientes já diagnosticados com a doença que envolve o cólon, a calprotectina fecal pode indicar atividade inflamatória mesmo quando não há sintomas. O exame não substitui a colonoscopia, especialmente no diagnóstico, mas pode ajudar o médico a avaliar quando é necessário repeti-la durante o seguimento clínico, contribuindo para evitar procedimentos desnecessários e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Essa possibilidade é especialmente relevante porque se sentir bem nem sempre significa que a doença esteja controlada. Crônica, a Doença de Crohn alterna períodos de atividade e remissão. Sintomas como dor abdominal e diarreia são importantes, mas não mostram, isoladamente, o que está acontecendo no intestino.

Realizado a partir de uma amostra de fezes, o exame mede a concentração de calprotectina, proteína liberada por células de defesa durante processos inflamatórios. Níveis elevados podem sinalizar inflamação intestinal e fornecer ao médico uma informação objetiva para complementar a avaliação clínica.

"Mais do que um resultado isolado, a calprotectina fecal deve ser interpretada em conjunto com os sintomas, o histórico do paciente e outros exames. Dessa forma, pode ajudar a acompanhar a resposta ao tratamento e a definir se e quando uma nova colonoscopia será necessária", explica a Dra. Danielle Kiatkoski, gastroenterologista e diretora científica do Instituto Brasileiro para Estudo da Doença Celíaca (IBREDOC).

Da incorporação ao acesso pelo SUS

A calprotectina fecal foi incorporada ao SUS em abril de 2024 para o monitoramento de pacientes com Doença de Crohn envolvendo o cólon, após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

Em maio de 2026, o Ministério da Saúde aprovou o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença, incluindo o exame entre os recursos previstos para a avaliação desses pacientes. Posteriormente, o procedimento passou a constar na Tabela do SUS, etapa necessária para sua realização e registro na rede pública.

Para Aline Oliveira, gerente de produto em autoimunidade da Thermo Fisher Scientific para a América Latina, a incorporação reforça o papel do diagnóstico laboratorial na construção de um cuidado mais individualizado.

"Ampliar o acesso a métodos não invasivos significa oferecer mais informações para apoiar as decisões médicas e o acompanhamento contínuo. O desafio agora é transformar a incorporação em acesso efetivo para os pacientes", afirma.

Quando os sintomas não contam toda a história

Nos últimos anos, o acompanhamento das doenças inflamatórias intestinais passou a considerar não apenas a percepção do paciente, mas também indicadores objetivos capazes de mostrar se a inflamação está realmente controlada.

Essa abordagem, conhecida como treat-to-target — ou tratamento orientado por metas — combina o controle dos sintomas com exames e outros parâmetros clínicos. A calprotectina fecal é um dos marcadores utilizados nesse acompanhamento e reconhecidos por consensos médicos internacionais.

Embora a incorporação atual ao SUS seja específica para a Doença de Crohn envolvendo o cólon, a calprotectina fecal também possui aplicação clínica no acompanhamento da retocolite ulcerativa, outra doença inflamatória intestinal crônica, que afeta o intestino grosso e o reto. A ampliação desse debate pode representar um próximo passo para o cuidado de pessoas com a condição.

"Para o paciente, o exame representa uma alternativa menos invasiva de acompanhamento. Para o sistema de saúde, pode apoiar decisões mais direcionadas sobre procedimentos de maior complexidade, como a colonoscopia, que exigem estrutura, equipes especializadas e mais recursos. Seu uso adequado pode contribuir para um cuidado mais confortável, preciso e eficiente", destaca Aline.