A rotina de quem trabalha na enfermagem da Santa Casa de Campo Grande voltou a levantar questionamentos sobre as condições oferecidas pelo hospital às equipes responsáveis pela assistência. A falta de profissionais, o acúmulo de tarefas e o desvio de função estão entre os problemas identificados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems), que decidiu ampliar a fiscalização para além das denúncias que já estavam na mesa de negociação.
O acompanhamento ocorreu durante uma semana, em diferentes períodos do dia, e resultou em um relatório técnico que será apresentado à administração nesta sexta-feira (23). A iniciativa busca colocar em discussão dificuldades encontradas na organização do trabalho e cobrar respostas da gestão.
O alerta surge após episódios anteriores de reclamações envolvendo enfermeiros e técnicos que passaram a assumir atividades adicionais, como a coleta de exames e o transporte de pacientes. Embora o hospital tenha anunciado a contratação de 13 coletadores e o remanejamento de outros sete trabalhadores, o sindicato continua apontando questões que exigem acompanhamento. <Cite refs={["turn327897search0","turn327897search3"]}/>
A preocupação agora não se limita às atividades executadas fora das atribuições habituais. O número reduzido de trabalhadores também entrou no diagnóstico, levantando dúvidas sobre a distribuição das demandas e a capacidade das equipes de manter a rotina sem ampliar a pressão sobre os profissionais.
A vice-presidente do Siems, Helena Delgado, informou que a fiscalização encontrou situações que não estavam previstas na pauta da mediação com o Ministério Público do Trabalho. Por isso, o sindicato pretende apresentar os novos apontamentos diretamente à administração hospitalar.
O relatório será discutido com a nova gerente de Recursos Humanos e representantes das chefias de Enfermagem. A reunião está marcada para as 15h desta sexta-feira (23).
A reunião ocorre em meio às tentativas de construir soluções para as reclamações da categoria. O encontro de mediação previsto para segunda-feira (19) foi adiado, e uma nova audiência foi marcada para 16 de novembro.
Até lá, o sindicato pretende manter o diálogo com a gestão. A expectativa é que os problemas identificados sejam avaliados e resultem em medidas para melhorar a distribuição das tarefas e as condições de trabalho.
O desafio para a administração é transformar as discussões em providências concretas. Em um hospital que atende casos de diferentes níveis de complexidade, equipes submetidas à sobrecarga e com dificuldades na organização das atividades precisam de respostas que vão além de reuniões e levantamentos.