A derrota nas urnas não significa, necessariamente, o fim da trajetória política de lideranças da esquerda em Mato Grosso do Sul. Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, nomes que não conseguiram conquistar mandatos eleitorais voltam a mirar Brasília em busca de espaço na próxima administração federal. A expectativa é que a distribuição de ministérios e cargos estratégicos abra uma nova oportunidade para aliados que trabalharam pela campanha petista em um Estado historicamente marcado pela força eleitoral da direita.
Entre os nomes que aparecem nas articulações estão Simone Tebet (PSB), Fábio Trad (PT), Soraya Thronicke (PSB) e Vander Loubet (PT). A eventual participação dessas lideranças no governo federal poderá redefinir o peso político da esquerda sul-mato-grossense, que saiu do primeiro turno sem eleger o governador e perdeu espaço na disputa pelo Senado.
As nomeações, entretanto, ainda dependem das decisões de Lula e das negociações entre os partidos. Por enquanto, o que existe é a expectativa de que os aliados que participaram da campanha sejam contemplados na formação da nova equipe.
A ex-ministra Simone Tebet é um dos nomes com maior possibilidade de voltar a ocupar uma posição de destaque no governo federal. Ela disputou uma vaga no Senado por São Paulo, a pedido de Lula, mas não conseguiu se eleger.
A decisão de concorrer fora de Mato Grosso do Sul foi parte da estratégia eleitoral do presidente, que buscava fortalecer sua presença política em São Paulo. Simone, que desejava disputar pelo Estado de origem, acabou assumindo o desafio e manteve o apoio à candidatura petista.
Agora, a possibilidade de retornar ao Ministério do Planejamento e Orçamento aparece como alternativa para sua continuidade no primeiro escalão. Uma eventual nomeação representaria a preservação de uma aliada que aceitou mudar seus planos eleitorais para atender à estratégia nacional do grupo governista.
No cenário estadual, Fábio Trad também poderá encontrar no governo federal uma alternativa para continuar na vida pública. O petista abriu mão de disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados para concorrer ao Governo de Mato Grosso do Sul e representar o projeto de Lula no Estado.
Apesar de terminar a eleição em segundo lugar, não conquistou o mandato pretendido. A derrota, porém, não encerra suas possibilidades políticas. Em 2022, após perder a reeleição para deputado federal, ele apoiou Lula no segundo turno e posteriormente passou a atuar na Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).
Agora filiado ao PT, Fábio pode ser considerado para uma função de maior projeção na administração federal. A possibilidade ganhou força após o presidente estadual da legenda, Vander Loubet, afirmar que o ex-candidato ao governo deverá ter espaço na próxima gestão.
A senadora Soraya Thronicke (PSB) é outra liderança que pode permanecer no cenário político por meio de uma nomeação federal. Ela tentou a reeleição em Mato Grosso do Sul, mas não conquistou uma das duas vagas em disputa.
A aproximação com Lula e a mudança do Podemos para o PSB marcaram seu reposicionamento político. A parlamentar também mantém proximidade com o vice-presidente Geraldo Alckmin, relação que poderá ajudar nas articulações em Brasília.
Soraya é cotada para assumir uma função no Executivo federal, mas ainda não há confirmação oficial sobre o cargo. O desfecho dependerá das negociações políticas e das escolhas do presidente.
Presidente estadual do PT e deputado federal por seis mandatos, Vander Loubet deverá ter papel central nas negociações envolvendo os cargos federais em Mato Grosso do Sul.
Embora também tenha enfrentado uma derrota eleitoral, Vander sinalizou que pretende continuar à frente do diretório estadual do partido e coordenar as articulações para a ocupação dos postos disponíveis.
O dirigente afirmou que Fábio Trad e Soraya Thronicke deverão ter espaço no governo, destacando a participação de ambos na campanha presidencial. A declaração indica que o PT pretende participar diretamente das discussões sobre as indicações no Estado.
A estratégia é manter influência sobre estruturas federais mesmo depois de um resultado eleitoral desfavorável na disputa estadual.
A disputa não se limita a ministérios. Em Mato Grosso do Sul, as chefias de órgãos federais também devem entrar no centro das negociações políticas.
A Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) é considerada uma das posições mais estratégicas, por sua atuação no desenvolvimento regional e pelo interesse de grupos políticos de diferentes estados da região.
Além dela, podem ocorrer mudanças nas representações estaduais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Superintendência Regional do Trabalho, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Superintendência de Pesca e Aquicultura, da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A escolha dos responsáveis por essas estruturas envolve influência política, acordos partidários e prioridades administrativas. Por isso, as indicações são tratadas como parte importante da reorganização das forças que apoiaram Lula.
Para a esquerda sul-mato-grossense, a formação do próximo governo representa uma oportunidade de recuperar espaço institucional após o desempenho eleitoral no Estado. Sem mandatos conquistados nas disputas que enfrentaram, algumas dessas lideranças dependem agora de possíveis nomeações para permanecer em posições de influência.
A definição dos cargos também será um teste para a capacidade de articulação do PT e de seus aliados em Mato Grosso do Sul. Mais do que garantir postos na administração federal, a movimentação poderá determinar quem terá voz nas decisões, acesso às estruturas da União e influência sobre políticas públicas executadas no Estado.
Por enquanto, não há confirmação de nomeações para os nomes citados. A disputa está nos bastidores e deverá avançar conforme Lula definir sua equipe e os partidos negociarem a ocupação dos cargos federais.