Educação Educação
Seleção para o primeiro emprego vai além do diploma
Jovens de 18 a 24 anos responderam por 57% do saldo de empregos formais em agosto; ensino médio completo concentrou a maior parte das novas vagas por escolaridade
26/10/2026 14h53
Por: WK Notícias Fonte: Agência Dino

Para quem está em busca do primeiro emprego, ter um diploma universitário ainda é um diferencial importante, mas os dados recentes do mercado de trabalho mostram que a graduação não é o único caminho para conseguir uma oportunidade. Em agosto, os jovens de 18 a 24 anos responderam por 94.910 dos 165.827 novos postos formais criados no Brasil, o equivalente a 57% do saldo do mês.

O recorte por escolaridade também chama atenção. O maior saldo foi registrado entre trabalhadores com ensino médio completo, com 100.939 postos, enquanto aqueles com ensino superior completo tiveram saldo de 23.272. Para trabalhadores com superior incompleto, foram 6.286.

Os números do Novo Caged não permitem concluir que as empresas estejam priorizando candidatos com ensino médio em detrimento de graduados. O que mostram é que uma parcela expressiva das novas oportunidades formais está sendo ocupada por trabalhadores que ainda não passaram pela universidade.

Para Renato Mendes, especialista em mercado de trabalho e CEO da Mendes Talent, isso ajuda a entender uma característica da entrada profissional: "No início da carreira, a empresa nem sempre está procurando um profissional pronto. Em muitas posições, ela procura alguém que tenha condições de aprender, desenvolver novas habilidades e assumir responsabilidades ao longo do tempo. Por isso, além da formação, a capacidade de aprendizado, a comunicação e a postura profissional podem fazer diferença na seleção."

Diploma continua sendo valorizado

Isso não significa que a formação superior tenha perdido importância. Dados da OCDE mostram que, no Brasil, adultos de 25 a 64 anos com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que aqueles que concluíram apenas o ensino médio.

A graduação continua tendo impacto relevante na trajetória profissional e na renda, mas seu peso pode variar conforme a função e o momento da carreira. Para quem busca a primeira oportunidade, especialmente em posições que não exigem formação específica, outros indicadores também podem fazer diferença.

"A ausência de experiência não significa ausência de competências. Um jovem pode demonstrar capacidade de organização, comunicação, trabalho em equipe e iniciativa a partir de projetos acadêmicos, cursos, atividades extracurriculares, trabalhos voluntários ou experiências de aprendizagem", afirma Mendes.

Contratação por competências avança

A discussão sobre contratação baseada em competências ganhou espaço nos últimos anos. Estudo da Harvard Business School e do Burning Glass Institute mostrou que, entre 2014 e 2023, o número de funções em grandes empresas americanas que retiraram a exigência de diploma dos anúncios de emprego quase quadruplicou.

Na prática, porém, a mudança foi mais limitada. Nessas funções, a participação de trabalhadores sem graduação entre os contratados aumentou, em média, apenas 3,5 pontos percentuais.

O resultado mostra que retirar o diploma como requisito não significa, necessariamente, mudar a lógica de seleção. Outros critérios passam a ser considerados para identificar se o candidato tem condições de desempenhar a função.

Entre as habilidades consideradas relevantes para os próximos anos pelo Fórum Econômico Mundial estão pensamento analítico e criativo, alfabetização tecnológica, curiosidade e aprendizagem contínua, além de resiliência e flexibilidade. Pesquisa do Semesp também aponta comunicação, visão de negócios, empreendedorismo, liderança e resolução de conflitos entre as competências importantes para a empregabilidade.

As portas de entrada vão além da graduação

Os dados do Novo Caged também mostram a relevância de diferentes formas de inserção profissional. Em agosto, os vínculos classificados como não típicos, que incluem aprendizes, temporários, intermitentes, contratados por CAEPF e trabalhadores com jornada de até 30 horas, tiveram saldo positivo de 43.863 postos.

De janeiro a agosto, esses vínculos acumularam saldo de 300.683 empregos, diante de 1,13 milhão de novos postos no mercado formal como um todo.

Para os jovens, essas modalidades podem representar uma oportunidade de adquirir experiência e desenvolver competências que posteriormente serão consideradas em outros processos seletivos.

"O primeiro emprego não precisa ser visto apenas como o momento em que o jovem começa a trabalhar. É também uma etapa de construção de repertório profissional. A experiência adquirida, mesmo em uma posição inicial, pode ajudar a desenvolver competências e tornar o candidato mais preparado para os próximos passos", diz Mendes.

A combinação entre formação e competências pode ser decisiva para quem está entrando no mercado. "O diploma continua sendo importante, mas não é o único indicador de potencial. Para quem está começando, mostrar disposição para aprender, capacidade de adaptação e vontade de se desenvolver também pode abrir portas", afirma Mendes.

Sobre a Mendes Talent

Com mais de duas décadas de atuação no mercado brasileiro de recrutamento e seleção, a empresa se posiciona com foco em agilidade e qualidade na formação de equipes. A Mendes Talent desenvolve estratégias personalizadas para reduzir o tempo e os custos associados a posições em aberto, conectando profissionais qualificados a oportunidades alinhadas às demandas das organizações. Seu modelo de atuação combina equipes dedicadas e especialização por linhas de negócio, com ênfase em eficiência, assertividade e resultados.