O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a lançar críticas contra o processo eleitoral brasileiro e classificou a votação que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma “desgraça”. A declaração, feita nesta quinta-feira (29), reacende a tensão política em torno do resultado das urnas e amplia a pressão diplomática sobre a relação entre Washington e Brasília.
Ao conversar com jornalistas, Trump afirmou que acompanhou a eleição, mas alegou ter respeitado um pedido de Lula para não apoiar nenhum candidato. Apesar de dizer que permaneceu neutro, o republicano atacou o pleito e anunciou que pretende conversar com o presidente brasileiro sobre o assunto.
“Não quero comentar sobre isso agora, mas eu acho que as eleições foram um grande constrangimento para o povo do Brasil”, declarou Trump. Em seguida, reforçou a crítica: “Mas quando eu assisti o que aconteceu no Brasil foi uma desgraça”.
A fala ocorre em meio à ausência de uma manifestação pública da Casa Branca sobre o resultado eleitoral. Questionado diretamente sobre quem considera o legítimo presidente do Brasil, Trump evitou responder, deixando sem esclarecimento sua posição pública sobre a vitória de Lula.
A posição de Trump ganha contornos ainda mais delicados porque o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula, chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), após deixar o Brasil. Próximo do grupo político do republicano, o parlamentar tenta manter sua influência na oposição brasileira mesmo fora do país.
Após chegar a Miami, Flávio divulgou uma carta com ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Na primeira versão, apresentou-se como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas recuou posteriormente e alterou a expressão para “líder do Brasil”. A tentativa de questionar o resultado, porém, não recebeu respaldo de figuras importantes da própria oposição.
O coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL), afirmou que não há provas que permitam sustentar acusações de fraude. Lideranças como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também defenderam o respeito ao resultado das urnas.
A troca de declarações ocorre após uma conversa telefônica entre Trump e Lula, em agosto. Na ocasião, o presidente brasileiro teria defendido a segurança do sistema eleitoral e afirmado que o processo transcorria normalmente. Trump, por sua vez, disse agora que atendeu ao pedido de neutralidade feito pelo petista, mas voltou a atacar a votação.
O republicano também associou suas críticas à reação negativa do mercado financeiro brasileiro após o resultado eleitoral. A declaração, entretanto, não veio acompanhada de provas que sustentem questionamentos sobre a legitimidade do pleito.
Até o momento, Trump não declarou reconhecer Flávio Bolsonaro como vencedor nem respondeu diretamente se considera legítima a vitória de Lula. Ao prometer uma nova conversa com o presidente brasileiro e, ao mesmo tempo, classificar a eleição como uma “desgraça”, o norte-americano mantém aberta uma frente de tensão diplomática que pode repercutir nas relações entre os dois países.