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Com fim da desoneração, preços de alimentos e frete devem ter alta geral

A subida da inflação deve ocorrer em paralelo ao corte de 1 milhão de vagas de emprego no país

26/11/2023 às 17h47
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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Caso o veto à desoneração da folha de pagamento não for derrubado pelo Congresso Nacional, preços de alimentos, transporte público, frete, informática e serviços podem aumentar até o fim do ano, preveem as entidades dos setores impactados.

A subida da inflação deve ocorrer em paralelo ao corte de 1 milhão de vagas de emprego no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou o projeto de lei na última quinta-feira (23), o que gerou críticas de instituições representativas de segmentos da economia e de trabalhadores.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) dá o aumento de preços dos fretes como certo se não houver desoneração. "Para o setor transportador, haverá impactos diretos no aumento dos custos operacionais das empresas que atuam no transporte rodoviário de cargas, rodoviário e metroferroviário público de passageiros."

"Isso pode gerar redução dos postos de trabalho e inviabilizar novas contratações, além de aumentar o preço médio das passagens e dos fretes, interferindo diretamente na inflação e no valor de produtos e serviços", diz a entidade, em nota.

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) afirmou que o veto deve gerar um aumento de 6,78% nos custos do setor de transporte coletivo por ônibus urbano. Segundo a entidade, se o ato não for revertido, deve haver um reajuste médio das tarifas para o passageiro de até R$ 0,31. "Atualmente, o valor médio da tarifa nacional está em torno de R$ 4,60 e, portanto, pode ultrapassar R$ 4,91 em função do veto."

O presidente da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), John Anthony, afirmou que haverá aumento de preços e da inflação se a decisão não for derrubada pelo Congresso. "Vai acarretar muito desemprego e, além disso, vai ter aumento em produtos, alimentos, transporte público e transporte de carga, fazendo com que a classe mais vulnerável perca seu poder aquisitivo. Também haverá aumento da inflação."

A prorrogação da desoneração, no entanto, é defendida pela maioria dos parlamentares do Congresso. O veto de Lula ao projeto é contrário ao posicionamento de 84% dos deputados federais. Dos 513 parlamentares, 430 votaram a favor da proposta.

Impedir a extensão da desoneração também significa ir na contramão da manifestação dos senadores, que aprovaram a matéria por votação simbólica, ou seja, quando não há contagem de votos. Por isso, deve haver uma forte reação do Congresso — que deve derrubar o veto presidencial.

A medida está em vigor desde 2011, quando foi adotada durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Quando a concessão entrou em vigor, 56 setores eram contemplados, mas o ex-presidente Michel Temer (MDB) sancionou, em 2018, uma lei que removeu 39 segmentos do regime. A medida valeria até 2021, mas foi prorrogada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) até 2023.

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*Com informações site R7

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