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Após vazamento de áudios nos quais o militar critica a atuação da PF, juiz ouvirá Cid nesta sexta-feira

A audiência com Mauro Cid será conduzida pelo desembargador Airton Vieira, juiz instrutor do gabinete de Moraes

22/03/2024 às 08h21
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, está programado para ser ouvido nesta sexta-feira (22), às 13h, pelo juiz-instrutor do gabinete do ministro Alexandre de Moraes. A solicitação para o interrogatório partiu da Polícia Federal (PF), com o objetivo de que o militar esclareça os áudios nos quais critica o ministro do STF e a própria corporação.

A audiência com Mauro Cid será conduzida pelo desembargador Airton Vieira, juiz instrutor do gabinete de Moraes. Além dele e da equipe de defesa, um representante da Procuradoria-Geral da República (PGR) estará presente durante o depoimento.

Os áudios foram divulgados pela revista Veja na noite de quinta-feira (21). Segundo a reportagem, Cid declarou que a corporação já tinha uma "narrativa pronta" e que os investigadores "não estavam interessados na verdade".

Com a divulgação dos áudios, a Polícia Federal pode revisar a aceitação da delação premiada de Mauro Cid, que foi aceita pela instituição em setembro de 2023.

Em comunicado, a defesa de Cid afirmou que em momento algum ele questiona a independência, integridade e imparcialidade da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República ou do STF no andamento dos inquéritos em que está envolvido como colaborador. "Seus advogados não endossam o teor dos áudios", acrescentou.

“Referidos áudios divulgados pela revista Veja, ao que parecem clandestinos, não passam de um desabafo em que relata o difícil momento e a angústia pessoal, familiar e profissional pelos quais está passando”, declarou a defesa de Cid.

De acordo com os advogados, esse "desabafo" surge "em decorrência da investigação e dos impactos que ela gera na sociedade, nos familiares e nos colegas de farda".

“[…] Mas que, de forma alguma, comprometem a lisura, seriedade e correção dos termos de sua colaboração premiada firmada perante a autoridade policial, na presença de seus defensores constituídos e devidamente homologada pelo Supremo Tribunal Federal nos estritos termos da legalidade”, continuou.

Críticas à PF

Inicialmente, os investigadores planejavam convocar Cid para esclarecer questões relacionadas aos áudios. Contudo, decidiram alterar a abordagem e sugeriram que o ex-ajudante de ordens seja ouvido pelo juiz-instrutor, após colocar os investigadores sob suspeição.

Segundo fontes próximas à investigação, em declaração à jornalista Andreia Sadi, acredita-se que Cid tem mais a perder, visto que a delação do ex-ajudante de ordens apenas confirma as demais evidências já obtidas pela Polícia Federal, trazendo poucas informações novas.

Membros da PF também avaliam que Cid aparenta estar tentando enviar mensagens para seu círculo pessoal, ao criticar a corporação e o ministro Alexandre de Moraes.

Dentro dos círculos militares, o comportamento de Cid, se de fato interpretado como um gesto em direção a Bolsonaro, é visto como prejudicial, uma vez que a investigação já demonstrou ser bastante detalhada em relação ao ex-ajudante de ordens.

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*Com informações Metrópoles

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