Sábado, 28 de Fevereiro de 2026
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PF afirma que Domingos Brazão recebeu dinheiro de milicianos no Rio de Janeiro

Brazão também foi investigado por fraude processual e desmanche de carros roubados

28/03/2024 às 10h37
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Antes de ser preso sob acusação de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco, Domingos Brazão - conselheiro suspenso do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro - escapou de várias investigações relacionadas a fraude, desmanche de carros e associação com milicianos.

Algumas dessas investigações foram conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, mas acabaram arquivadas devido à influência do Clã Brazão. Segundo informações contidas no relatório da Polícia Federal sobre o caso Marielle, desde os anos 2000, ambos foram mencionados como integrantes de organizações criminosas no Rio de Janeiro.

“A trajetória de Domingos Brazão, e de seus associados, é evidência inequívoca de como se estrutura e se insere uma organização criminosa no seio da sociedade brasileira. Muitas foram as chances que o poder público teve de frear a expansão de suas atividades, antes que elas desaguassem nos homicídios ora investigados”, aponta a PF.

“O presente tópico deixa claro que as execuções não foram um caso isolado, mas fruto da corrupção e da inércia dos três Poderes na condução da coisa pública, seja na esfera estadual, seja na esfera federal”, acrescentam os policiais federais.

O relatório da CPI das Milícias, preparado pelo deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), já mencionava a atividade criminosa da dupla. No entanto, não foram tomadas medidas em relação aos parlamentares pela CPI.

“O líder do Clã Brazão, Domingos Brazão, esteve ao longo dos anos envolto em uma névoa criminal nunca dissipada em razão das relações político-estatais por ele construídas. Cercou-se de policiais, parlamentares, políticos, Conselheiros dos Tribunais de Contas e líderes de organizações criminosas, notadamente aquelas que exploram atividades típicas de milícias”, acrescenta a PF.

Conforme a PF, um exemplo dessa atividade criminosa da dupla é a exploração de duas empresas de autopeças, a Sangue Bom Autopeças e a Ferro Velha Nova Entrada, para desmontar veículos furtados e comercializar peças no mercado ilegal.

“Ao passo em que ascendia politicamente e empresarialmente, surgiam mais e mais denúncias sobre a atuação do Clã Brazão”, informa a PF no relatório.

Outro aspecto mencionado pela Polícia Federal se relaciona à atuação de Robson Calixto, ex-assessor parlamentar de Domingos Brazão, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Além de ser assessor, Calixto foi sócio de Domingos na empresa "Terra de Canaã Construções e Transportes".

Investigadores apontam que Robson Calixto era encarregado de angariar fundos para as campanhas eleitorais de Domingos Brazão, obtendo dinheiro por meio de coação de moradores na região de Taquara, área politicamente influenciada por Brazão.

“Robson Calixto figura como miliciano em algumas notícias de fato encaminhadas pelo Disque-Denúncia, datadas de maio e junho de 2018, onde é apontado como o responsável por arrecadar valores auferidos por grupo paramilitar organizado do tipo milícia na região da Taquara”, diz a PF.

“Próximo à UPP de Taquara, localiza-se uma igreja evangélica do Silas Malafaia, onde pode ser encontrado o miliciano ‘Robson Calixto Fonseca’, vulgo Peixe, nos dias 15 a 30 deste mês, para receber a quantia que é arrecadada na região. Ele anda armado. É policial e segurança particular do deputado Domingos Brazão”, ilustra um relatório do Disque-Denúncia sobre o caso.

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*Com informações O Antagonista

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