Sábado, 28 de Fevereiro de 2026
Publicidade

Justiça Federal suspende norma do CFM que proibia aborto legal; saiba mais

A decisão suspende os efeitos da resolução do CFM, impedindo que médicos sejam disciplinados por realizar a assistolia fetal

19/04/2024 às 09h49
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Nesta quinta-feira (18), a Justiça Federal do Rio Grande do Sul suspendeu uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proibia a assistolia fetal, procedimento necessário para abortos legais em gestações acima de 22 semanas decorrentes de estupro.

A juíza federal Paula Weber Rosito, da 4ª Vara da Justiça Federal do RS, concedeu a liminar, argumentando que o CFM, como autarquia, não tem competência para restringir o aborto em casos de estupro. Ela ressaltou que a regulamentação legal do aborto é determinada pelo Código Penal, que autoriza o aborto em casos de gravidez resultante de estupro, com o consentimento da gestante ou de seu representante legal.

A decisão suspende os efeitos da resolução do CFM, impedindo que médicos sejam disciplinados por realizar a assistolia fetal em gestantes com mais de 22 semanas em casos de estupro.

A norma do CFM (nº 2.378), emitida em 3 de abril, provocou reações do Ministério Público Federal, da Sociedade Brasileira de Bioética e do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde. Eles recorreram à Justiça para suspender a medida, alegando que criava "restrições indevidas de acesso à saúde" para vítimas de estupro que engravidam.

No Brasil, o direito ao aborto é legalmente garantido em qualquer estágio da gestação quando resulta de violência sexual, além de casos de anencefalia fetal e risco à vida da mulher.

A assistolia fetal em casos de aborto é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a partir das 20 semanas de gestação. Especialistas criticaram a norma do CFM, afirmando que contrariava a legislação vigente e dificultava o acesso ao aborto legal, especialmente para mulheres em situações vulneráveis.

Receba as principais notícias do Brasil pelo WhatsApp. Clique aqui para entrar na lista VIP do WK Notícias. 

*Com informações Terra Brasil

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro
Política Há 3 meses Em Brasil

Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro

A manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro expôs um movimento preocupante: a substituição de fatos por suposições como base para decisões judiciais. Mesmo após esclarecer tecnicamente a questão da tornozeleira e negar qualquer intenção de fuga, a audiência de custódia tratou cenários hipotéticos como verdades consolidadas. O resultado é uma medida extrema sustentada mais pelo ambiente político e midiático do que por elementos concretos.
A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro
Política Há 3 meses Em Brasil

A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro

Enquanto manchetes repetem uma versão simplificada, os documentos, a cronologia e o silêncio sobre relações sensíveis revelam que a tornozeleira pode ter sido apenas o álibi conveniente para uma decisão já tomada.
O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?
Política Há 3 meses Em Brasil

O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?

Enquanto o debate nacional se concentra na tornozeleira de Bolsonaro, relações profissionais sensíveis entre parentes do ministro do STF e um grande banqueiro seguem intocadas. É apenas coincidência — ou parte de uma cortina de fumaça muito conveniente?
 Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.
BANCO MASTER Há 3 meses Em Brasil

Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.

Após a prisão do controlador do Banco Master e a liquidação da instituição pelo Banco Central, veio à tona que o ex-presidente Michel Temer foi contratado pelo banco para tentar negociar uma solução com o BC. O escândalo levou ao afastamento da cúpula do BRB, alimentou pedidos de CPI e pode ampliar o desgaste político para Celina Leão e Ibaneis Rocha no DF.