Sexta, 23 de Janeiro de 2026

Ultradireita de Marine Le Pen conquista vitória histórica no primeiro turno das legislativas francesas

Reunião Nacional lidera com 33% dos votos, seguida por coalizão de esquerda; situação de Macron se complica

01/07/2024 às 08h20
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A ultradireita representada pela Reunião Nacional (RN) de Marine Le Pen alcançou uma vitória histórica no primeiro turno das eleições legislativas francesas, obtendo 33% dos votos para a Assembleia Nacional (câmara baixa do Parlamento francês). Em segundo lugar ficou a coalizão de partidos de esquerda, Nova Frente Popular (NFP), com 28%. A coligação do presidente Emmanuel Macron, denominada Juntos, terminou em terceiro lugar, com apenas 20% dos votos, conforme os resultados oficiais divulgados nesta segunda-feira (1º).

Contexto político e impactos

Os números confirmam um desempenho esperado para a RN, de acordo com as pesquisas, e indicam um cenário desafiador para o presidente Emmanuel Macron, que ainda tem pouco menos de três anos de mandato pela frente. Com a Assembleia Nacional já sem maioria desde 2022, a governabilidade de Macron pode ser ainda mais dificultada.

No sistema semipresidencialista francês, o presidente depende de um primeiro-ministro indicado pelo Parlamento para garantir a governabilidade. Para obter uma maioria estável, um partido precisa de 289 das 577 cadeiras na Assembleia Nacional. Antes da nova votação, Macron contava com apenas 250 cadeiras.

Projeções e expectativas

A real composição da Assembleia Nacional será conhecida apenas após o segundo turno, agendado para o próximo domingo, 7 de julho. Projeções indicam que a RN pode conquistar entre 230 e 280 cadeiras, a NFP entre 125 e 200, e a coligação de Macron entre 60 e 100 deputados. Devido ao sistema fragmentado de disputas, o resultado final é difícil de prever, com muitos assentos ainda indefinidos.

O sistema eleitoral francês prevê disputas locais em dois turnos para definir os 577 assentos da Assembleia Nacional. Aqueles que obtiverem a maioria absoluta dos votos no primeiro turno vencem, desde que a taxa de comparecimento seja de ao menos 25%. Caso contrário, os candidatos com mais de 12,5% dos votos avançam para o segundo turno, que pode envolver até três ou quatro candidatos.

Reações e futuro

A dissolução da Assembleia Nacional em 9 de junho, após a derrota da aliança centrista de Macron pela RN nas eleições ao Parlamento Europeu, levou à convocação de eleições antecipadas. Macron esperava atrair novamente os eleitores que se opõem à ultradireita, como ocorreu nas eleições presidenciais de 2017 e 2022.

A chegada ao poder da ultradireita, pela primeira vez desde a libertação da França da ocupação nazista em 1945, pode aumentar a influência dessa tendência na União Europeia, onde já governa na Itália e Hungria. Esse cenário poderia enfraquecer a política de apoio à Ucrânia de Macron, já que a RN enfatiza evitar uma escalada com Moscou.

Macron apelou por uma aliança democrática “ampla” para o segundo turno, ressaltando a alta taxa de comparecimento de 65,5% como um sinal do “desejo de esclarecer a situação política”. Marine Le Pen, por sua vez, interpretou os resultados como um desejo dos eleitores de “virar a página depois de sete anos de poder desdenhoso e corrosivo”.

O nome da RN para o cargo de primeiro-ministro, Jordan Bardella, advertiu contra a “perigosa extrema esquerda”, enquanto a NFP pediu união para barrar a RN, prometendo retirar candidaturas do segundo turno que estiverem em terceiro lugar para evitar a dispersão dos votos democráticos.

Cenário de coabitação

Caso a RN conquiste a maioria absoluta, ela poderá indicar o próximo primeiro-ministro, estabelecendo um cenário de “coabitação” – uma situação rara em que presidente e primeiro-ministro são de grupos políticos rivais. Se não alcançar a maioria, Macron poderá manter Gabriel Attal como premiê provisório ou buscar um primeiro-ministro da esquerda ou de outro grupo, sem o endosso da maioria do eleitorado.

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*Com informações Metrópoles

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