Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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'Abin paralela': Militares e policiais federais presos por ameaçar Moraes com tiro de fuzil na cabeça

Operação "Última Milha" revela conversas incriminadoras e monitoramento ilegal de autoridades

12/07/2024 às 08h08
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Nesta quinta-feira (11), a Polícia Federal prendeu dois indivíduos envolvidos nas investigações da "Abin paralela", que revelaram preocupantes ameaças contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Giancarlo Gomes Rodrigues, militar do Exército, e Marcelo Araújo Bormevet, policial federal, trocaram mensagens sugerindo ações extremas, como impeachment e até tiro de fuzil, contra Moraes.

Em uma conversa, Giancarlo escreveu que o ministro estava "merecendo algo a mais", ao que Bormevet respondeu "7.62", referindo-se a um calibre de fuzil, seguido por Giancarlo mencionando "head shot", indicando um tiro na cabeça. Em outra troca de mensagens, os dois discutiram um abaixo-assinado pelo impeachment de Moraes, com Bormevet insinuando que Giancarlo seria "melancia" – um termo pejorativo para militares de esquerda.

A Operação

A quarta fase da Operação Última Milha, deflagrada pela PF, visa desarticular uma organização criminosa acusada de monitoramento ilegal de autoridades públicas e produção de notícias falsas utilizando sistemas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em diversas cidades, incluindo Brasília, Curitiba, Juiz de Fora, Salvador e São Paulo.

Até o momento, foram presos Giancarlo Gomes Rodrigues, Mateus Sposito (ex-assessor da Secretaria de Comunicação Social na gestão anterior), Marcelo de Araújo Bormevet e Richards Dyer Pozzer. Rogério Beraldo de Almeida continua foragido. Também foram alvos de busca e apreensão ex-assessores de Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, incluindo José Mateus Sales Gomes.

As investigações apontam que o grupo monitorava ilegalmente membros dos Três Poderes e jornalistas, além de criar perfis falsos para disseminar informações inverídicas. Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa acessou ilegalmente computadores, aparelhos de telefonia e infraestrutura de telecomunicações para monitorar agentes públicos.

Os investigados podem ser acusados de crimes como organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, interceptação clandestina de comunicações e invasão de dispositivo informático alheio. As revelações sobre ameaças a Alexandre de Moraes e a abrangência das operações da "Abin paralela" sublinham a gravidade das ações do grupo e a necessidade de rigorosas medidas judiciais.

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*Com informações Metrópoles

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