O Palácio do Planalto pisou no freio da liberação de emendas justamente na semana em que sofreu um duro revés político com a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O governo desembolsou apenas R$ 6,29 bilhões das emendas autorizadas para 2025 — pouco mais de 12% dos R$ 50,38 bilhões previstos —, frustrando expectativas da base e alimentando a ofensiva da oposição.
Na quarta-feira (20), dia da derrota na presidência e relatoria da CPMI, foram pagos R$ 32 milhões em emendas — menos da metade da média diária do ano. No dia seguinte, o montante subiu para R$ 68 milhões, mas ainda dentro da média. Ao todo, em dois dias, o Planalto liberou R$ 100,6 milhões, sendo R$ 22,2 milhões destinados a integrantes da própria comissão.
A articulação que levou à eleição de Carlos Viana (Podemos-MG) e do deputado Domingos Sávio (PL-MG) começou na véspera, durante jantar articulado pelo PL, que explorou o descontentamento da base governista com a demora nos pagamentos. Parlamentares do Centrão, tradicionalmente pragmáticos, engrossaram a dissidência.
A oposição tratou a vitória como demonstração de força, após semanas de desgaste por causa da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. “Foi um recado claro: sem emendas, não há governabilidade”, avaliou um aliado.
O impasse ocorre em meio ao maior escândalo da história do INSS. As denúncias resultaram na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, e já derrubaram o então ministro da Previdência, Carlos Lupi, e o presidente do instituto.
Agora, com a CPMI nas mãos da oposição e o cofre das emendas fechado, o Planalto encara um risco duplo: perder sustentação no Congresso e ver a investigação virar palco de desgaste contínuo contra o governo Lula.
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*Com informações Metrópoles