Sábado, 28 de Fevereiro de 2026
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Flávio Bolsonaro explode nas pesquisas: 28% do Paraná enterra o centro

Convergência dos institutos revela avanço do bolsonarismo, força evangélica e fragilidade do centro político nas eleições de 2026

28/02/2026 às 14h14
Por: WK Notícias
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Foto: Reprodução Redes Sociais
Foto: Reprodução Redes Sociais

A mais recente pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, divulgada em fevereiro, introduz um dado politicamente relevante no cenário de 2026: o senador Flávio Bolsonaro aparece na liderança do cenário espontâneo com 28% das intenções de voto, à frente do presidente Lula (22%, sem recall) e do governador Tarcísio de Freitas (18%). Nas simulações de segundo turno, Flávio alcança 32% contra o campo petista, configurando-se como o principal nome da oposição testado pelo instituto.

Embora uma pesquisa isolada não seja suficiente para projetar o resultado eleitoral, o levantamento revela uma tendência que vem sendo observada com recorrência: a dificuldade do centro político em se consolidar como alternativa competitiva e a manutenção da polarização como eixo estruturante da disputa nacional. O crescimento de Flávio não se explica por adesão das elites políticas ou econômicas, mas pela permanência de um eleitorado ideologicamente mobilizado, especialmente em segmentos conservadores.

O comportamento de lideranças regionais ilustra essa tensão. O governador Eduardo Riedel, ao declarar apoio genérico a uma “candidatura de oposição” sem mencionar nomes, expressa a cautela institucional diante da polarização. Essa postura, contudo, evidencia também o distanciamento entre o discurso das lideranças políticas e o movimento concreto do eleitorado registrado nas pesquisas.

Um dos elementos centrais desse desempenho é o eleitorado evangélico. De acordo com os dados do Paraná Pesquisas, Flávio Bolsonaro registra aprovação superior a 70% nesse segmento, que hoje representa aproximadamente 35% do eleitorado nacional. Trata-se de um grupo com alta taxa de participação eleitoral, forte organização comunitária e comportamento político relativamente estável desde 2018. Essa base tem funcionado como sustentação do bolsonarismo mesmo após o fim do governo Bolsonaro.

A pesquisa indica ainda crescimento relevante entre jovens evangélicos e na classe C, com avanço de até 15 pontos percentuais nesses estratos. Ao mesmo tempo, candidaturas associadas ao centro político permanecem estagnadas em torno de 12%, sugerindo dificuldade em construir uma identidade eleitoral clara. O dado não aponta vitória antecipada, mas reforça a leitura de que o espaço político entre os polos segue estreito.

Outro fator que contribui para esse movimento é o ambiente de insatisfação com o governo federal. A avaliação negativa do governo Lula — que atinge cerca de 58% entre ruim e péssimo no levantamento — cria um campo favorável para candidaturas de oposição com discurso de ruptura, crítica ao establishment e apelo conservador. Nesse contexto, Flávio Bolsonaro surge como beneficiário direto dessa dinâmica.

Convergência dos institutos

O movimento identificado pelo Instituto Paraná Pesquisas não aparece de forma isolada. Levantamentos recentes de institutos como o Datafolha, o Ipec e a Quaest vêm apontando padrões semelhantes: manutenção da polarização entre campos ideológicos definidos, elevada rejeição simultânea ao PT e às forças tradicionais do centro político, e dificuldade de emergência de uma candidatura moderada com densidade eleitoral.

Ainda que esses institutos não testem necessariamente o nome de Flávio Bolsonaro nos mesmos cenários, os dados convergem ao indicar que o eleitorado conservador permanece mobilizado e que figuras associadas ao bolsonarismo seguem competitivas nacionalmente, sobretudo entre evangélicos, jovens e eleitores de renda média. O levantamento do Paraná, nesse sentido, funciona como um recorte específico dentro de uma tendência mais ampla observada no sistema político brasileiro.

Convergência sobre o segmento evangélico

O protagonismo do eleitorado evangélico no atual ciclo político não é uma inferência isolada do levantamento do Instituto Paraná Pesquisas. Pesquisas sucessivas realizadas por institutos como o Datafolha, o Ipec e a Quaest vêm apontando padrões semelhantes: crescimento demográfico do segmento, elevada taxa de engajamento eleitoral e comportamento político relativamente coeso em torno de pautas conservadoras e de oposição ao atual governo.

Esses levantamentos indicam que, desde 2018, o eleitorado evangélico se consolidou como um dos blocos mais organizados do país, com influência direta nos resultados eleitorais, especialmente nas periferias urbanas, no interior e entre eleitores mais jovens. Mesmo com variações percentuais entre pesquisas, há convergência na constatação de que esse grupo apresenta maior estabilidade de voto quando comparado a outros segmentos religiosos ou socioeconômicos.

Outro ponto recorrente nos diferentes estudos é a associação entre identidade religiosa, valores morais e posicionamento político. A rejeição a pautas culturais progressistas, a defesa da família e a crítica às instituições tradicionais aparecem como fatores de mobilização eleitoral dentro desse campo. Nesse contexto, candidaturas ligadas ao bolsonarismo tendem a encontrar nesse eleitorado um ambiente mais receptivo, independentemente de oscilações conjunturais.

A pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, ao indicar aprovação superior a 70% de Flávio Bolsonaro entre evangélicos, insere-se nesse padrão mais amplo. O dado não surge como exceção estatística, mas como expressão localizada de uma tendência nacional já observada por diferentes institutos: a centralidade do voto evangélico na definição das disputas presidenciais.

Do ponto de vista analítico, isso reforça a leitura de que o crescimento de Flávio Bolsonaro não se apoia apenas em fatores individuais ou conjunturais, mas em uma base social estruturada, com identidade própria e capacidade de mobilização contínua. Trata-se de um eleitorado que atua como âncora política do bolsonarismo e como vetor decisivo na manutenção da polarização no cenário eleitoral brasileiro.

Em síntese, os números do Instituto Paraná Pesquisas não decretam o resultado de 2026, mas sinalizam com clareza uma tendência: o bolsonarismo mantém vitalidade eleitoral, o eleitorado evangélico continua sendo um ator central e Flávio Bolsonaro emerge como um dos principais representantes desse campo no atual estágio da disputa. Ignorar esse movimento pode representar não apenas erro de análise, mas falha estratégica para aqueles que pretendem disputar o poder nacional.

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