Quinta, 30 de Abril de 2026

Voto70+: prazo para regularizar título termina em 6 de maio

Movimento apoiado por Luiza Trajano e os atores Ary Fontoura e Zezé Motta incentiva a participação da população com mais de 70 anos nas eleições

30/04/2026 às 19h16
Por: WK Notícias Fonte: Agência Dino
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Diego Marin
Diego Marin

Eleitores com pendências na Justiça Eleitoral têm até 6 de maio para regularizar o título de eleitor. Esse prazo vale também para aqueles que já ingressaram na faixa do voto facultativo, como os cidadãos acima de 70 anos. O alerta é o pilar central da primeira fase da campanha Voto70+, liderada pela consultoria data8, hub especializado em economia da longevidade, que busca incentivar pessoas nessa faixa etária a participarem do processo democrático.

O passo a passo para verificar se há alguma pendência, como atualizar o endereço, entre outras informações está disponível no site Voto70+. A regularização pode ser feita de forma online no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou presencialmente nos cartórios eleitorais e unidades de atendimento do TSE de cada cidade.

"Como o voto se torna facultativo depois dos 70 anos, muitos eleitores têm deixado de participar das eleições", aponta Clea Klouri, cofundadora do data8. De acordo com dados divulgados pela campanha Voto70+, apenas 45% das pessoas com mais de 70 anos compareceram no segundo turno de 2022. Dos quase 15 milhões de eleitores dessa faixa etária cadastrados atualmente no país, apenas 8 milhões deles votaram. "Quando essa parcela da população não vota, também é apagada das decisões, fazendo com que a abstenção se converta em exclusão", completa Klouri.

Lançada em 13 de abril, a iniciativa tem como foco a geração baby boomer (nascidos entre 1946 e 1964), com atenção especial às mulheres, que lideram os índices de abstenção eleitoral nessa faixa etária. A campanha conta com o apoio de nomes como a empresária Luiza Trajano e os atores Ary Fontoura e Zezé Motta. Também estão sendo promovidas ações presenciais, até 6 de maio, nas proximidades de agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 32 cidades brasileiras.

"Como uma mulher de 81 anos, eu tenho muita história e momentos vividos. Alguns difíceis, outros de esperança também. E tem uma coisa que eu aprendi com o tempo: quando a gente deixa de participar, alguém decide por nós", declara Zezé Motta, que, além de atriz consagrada, também tem sua trajetória marcada pelo ativismo, sendo uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), utilizando sua voz para combater o racismo estrutural no audiovisual.

"Eu preciso falar uma coisa sobre pessoas acima de 70 anos. Se a gente consegue mandar corrente no WhatsApp, é claro que a gente pode regularizar o nosso título para votar. Afinal, o direito ao voto faz parte da cidadania", afirma Ary Fontoura, um dos atores mais longevos da TV brasileira, com mais de 70 anos de carreira. "É o nosso voto que pode mudar isso aí. E se informe, hein? O que não pode é reclamar depois que não der mais tempo", diz o ator, no vídeo da campanha.

A ação busca ampliar a presença de um grupo cada vez mais representativo na população brasileira, mas ainda subrepresentado no processo democrático. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a população com mais de 60 anos cresce rapidamente no mundo e atingirá a marca de 2 bilhões de pessoas até 2050. "O conceito de ‘velho’ ficou velho. A maturidade deixou de ser fim, virou recomeço. O envelhecimento já transformou o país, mas essa transformação ainda não chegou à democracia", destaca Klouri.

Para Adriana de Queiroz, head de Inovação do data8, o movimento é essencial para o futuro do país. "Votos 70+ são a experiência que constrói o futuro. São pessoas que seguem ativas e presentes na vida social, mas cuja participação cívica deve ser maior nas decisões coletivas", defende. Em sua opinião, com o Brasil caminhando para um perfil demográfico cada vez mais envelhecido até 2050, a mensagem da campanha é urgente.

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