
O cenário político de Mato Grosso do Sul entrou de vez em ebulição para as eleições de 2026. Com o pleito marcado para outubro deste ano, partidos já travam disputas internas, reorganizam comandos estaduais e articulam alianças que prometem redefinir completamente o mapa político sul-mato-grossense.
O principal foco da turbulência está no Partido Liberal. A legenda vive uma verdadeira guerra interna para definir quem ocupará a segunda vaga ao Senado na chapa bolsonarista.
O ex-governador Reinaldo Azambuja aparece consolidado como um dos nomes do partido, mas a disputa entre Capitão Contar e Marcos Pollon virou um dos maiores conflitos internos da política estadual.
Pollon insiste em afirmar que possui o apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, usando como trunfo uma carta divulgada por Michelle Bolsonaro ainda durante o período em que Bolsonaro esteve preso. Já Capitão Contar ganhou força dentro do partido após aparecer competitivo em diferentes levantamentos eleitorais.
As pesquisas divulgadas nas últimas semanas ampliaram ainda mais a confusão dentro do PL. Enquanto levantamentos do Instituto Ranking e IPR apontam vantagem de Contar em alguns cenários, pesquisas da Real Time Big Data mostram Pollon mais competitivo em determinados recortes eleitorais.
Diante do impasse, o PL decidiu contratar os institutos Paraná Pesquisas e Quaest para realizar estudos quantitativos e qualitativos que deverão servir como base para a decisão final da legenda.
Nos bastidores, dirigentes admitem que a disputa interna já provoca desgaste entre aliados bolsonaristas no Estado. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, reduziu manifestações públicas sobre o assunto para evitar aprofundar a crise interna.
Além da disputa pelo Senado, o PL também monitora o cenário para o Governo do Estado. Embora Eduardo Riedel, do Progressistas, siga como favorito à reeleição em vários levantamentos, setores bolsonaristas defendem candidatura própria para a disputa deste ano.
Enquanto o PL enfrenta tensão interna, o PSB passou por uma das maiores reestruturações partidárias do Estado após a chegada da senadora Soraya Thronicke.
A parlamentar deixou o Podemos e assumiu o comando estadual do PSB em Mato Grosso do Sul, levando junto uma nova articulação política alinhada ao governo federal.
A mudança provocou forte desconforto dentro da legenda. Soraya declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abriu espaço para aproximação com uma eventual candidatura petista ao governo estadual.
O movimento desagradou aliados do governador Eduardo Riedel e provocou a saída do deputado estadual Paulo Duarte do PSB. O parlamentar migrou para o PSDB justamente para manter apoio ao atual governador.
Outro fator que aumentou a repercussão política foi a manutenção do marido de Soraya, Carlos César de Lima Batista, no comando estadual do Podemos. Com isso, o casal passou a exercer influência simultânea sobre duas estruturas partidárias importantes em Mato Grosso do Sul.
A situação causou surpresa até entre integrantes do próprio Podemos, já que parte da legenda afirmou desconhecer a mudança no comando estadual.
No PSD, o senador Nelsinho Trad tenta consolidar espaço como alternativa mais moderada na corrida ao Senado. O parlamentar aparece competitivo em praticamente todos os levantamentos divulgados até agora e segue sendo tratado como um dos nomes mais fortes da disputa.
Já o Partido dos Trabalhadores trabalha para ampliar protagonismo no Estado. O deputado federal Vander Loubet aparece em diferentes cenários para o Senado, enquanto setores petistas também discutem o fortalecimento do nome de Fábio Trad para uma eventual disputa majoritária.
No Progressistas, o foco segue sendo a consolidação da candidatura à reeleição de Eduardo Riedel. Aliados avaliam que o governador chega fortalecido politicamente, mas acompanham com atenção a reorganização dos partidos de esquerda e o crescimento da tensão dentro do PL.
O PSDB, por sua vez, tenta se reposicionar no tabuleiro político estadual após perder protagonismo nos últimos anos. A chegada de Paulo Duarte fortaleceu o discurso de apoio à continuidade do atual governo estadual e reacendeu discussões sobre futuras alianças com partidos de centro-direita.
Nos bastidores da política sul-mato-grossense, lideranças admitem que o cenário segue extremamente aberto. A guerra interna no PL, o fortalecimento de Soraya no PSB, as articulações do PT e a tentativa de reorganização de partidos tradicionais indicam que Mato Grosso do Sul deverá viver uma das eleições mais disputadas e imprevisíveis dos últimos anos.