
A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou sete projetos durante a sessão desta quinta-feira, em uma pauta que misturou ações sociais, valorização de servidores, homenagens políticas e embates ideológicos. Entre os destaques está a criação de uma reserva de 10% das moradias populares para mães responsáveis por crianças com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento.
O projeto, de autoria do vereador Wilson Lands, foi aprovado em regime de urgência e garante prioridade nos programas habitacionais de interesse social do município. A proposta busca atender mães atípicas que enfrentam dificuldades financeiras e uma rotina intensa de tratamentos, terapias e acompanhamento escolar.
Segundo o parlamentar, a medida reconhece uma vulnerabilidade real vivida diariamente por famílias que precisam de maior suporte do poder público. “A moradia representa segurança, dignidade e condições mínimas para a criança se desenvolver com qualidade de vida”, afirmou Wilson Lands durante a sessão.
Outro projeto aprovado prevê reajuste de 4,39% para os servidores efetivos da Câmara Municipal, além de aposentados e pensionistas do Legislativo, com efeito a partir de junho de 2026. O presidente da Casa, vereador Papy, destacou avanços recentes na valorização do funcionalismo, como o adicional de qualificação para servidores com pós-graduação, mestrado e doutorado.
A sessão também teve espaço para homenagens e reconhecimento público. Os vereadores aprovaram títulos e medalhas para nomes como a procuradora-geral do Estado Ana Carolina Ali Garcia, o empresário Marcelo Germano, o ambientalista Marcos Eduardo Bergoli Kirst e o deputado federal Nikolas Ferreira, que receberá a Medalha Arlindo de Andrade Gomes por iniciativa do vereador Rafael Tavares.
Outro homenageado foi o deputado federal Guilherme Derrite, conhecido como Capitão Derrite, que receberá o título de “Visitante Ilustre” de Campo Grande.
Mas um dos momentos mais polêmicos da sessão ocorreu na manutenção do veto parcial da prefeita ao projeto que cria a Política Municipal de Proteção da Mulher. O trecho barrado previa igualdade biológica de condições em critérios físicos de concursos públicos e práticas esportivas municipais. A prefeitura alegou razões de segurança jurídica e coerência normativa para manter o veto.
A decisão reacendeu discussões sobre identidade de gênero, critérios biológicos em competições esportivas e participação feminina em espaços públicos, tema que vem gerando debates intensos em todo o país.
Com pautas sociais, valorização do funcionalismo e temas ideológicos dividindo opiniões, a sessão mostrou uma Câmara cada vez mais ativa em debates que ultrapassam os limites administrativos e refletem disputas políticas e culturais presentes em todo o Brasil.