
A pré-campanha eleitoral em Mato Grosso do Sul entrou em uma semana decisiva marcada por disputas internas, rompimentos políticos e indefinições nas principais forças partidárias do Estado. Às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Ponta Porã, o Partido dos Trabalhadores voltou a expor publicamente suas divergências, enquanto o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro ainda não conseguiu fechar sua composição para a disputa majoritária.
O principal fato político dos últimos dias foi a recusa do empresário Maurício Bumlai em assumir a primeira suplência da pré-candidatura do deputado federal Vander Loubet (PT) ao Senado. A decisão representou um duro golpe nos planos do parlamentar e evidenciou o desgaste provocado pelas disputas internas no partido.
Nos bastidores, a saída de Bumlai foi atribuída ao clima de hostilidade criado após críticas do deputado estadual Zeca do PT, da deputada federal Camila Jara e da vereadora Luiza Ribeiro contra a ex-secretária estadual de Cidadania Viviane Luiza (PSDB), pré-candidata à Câmara Federal e companheira do empresário.
A crise ganhou proporções ainda maiores após declarações atribuídas a Zeca envolvendo o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena. O episódio aprofundou o desconforto de Bumlai e acabou desencadeando uma reação de Vander, que teria demonstrado forte insatisfação com o chamado "fogo amigo" dentro do partido.
Embora o deputado federal tenha divulgado nota afirmando ter recebido a decisão com tranquilidade e negado rompimento formal com Zeca do PT, aliados reconhecem que o episódio produziu desgaste justamente no momento em que o PT buscava demonstrar unidade para recepcionar Lula em Mato Grosso do Sul.
A visita presidencial, prevista para esta semana no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, era vista como oportunidade para fortalecer o palanque petista e impulsionar a pré-candidatura de Vander ao Senado. Agora, porém, a agenda acontece sob a sombra de uma crise interna que voltou a expor antigas divisões do partido no Estado.
Enquanto o PT enfrenta turbulências, o campo da direita também convive com incertezas. No Partido Liberal, permanece indefinido quem ocupará a vaga na chapa majoritária liderada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL).
Pesquisas internas apontaram o ex-deputado Capitão Contar como favorito para a composição, mas a palavra final ainda depende do aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. O impasse mantém a disputa aberta entre Contar e o deputado federal Marcos Pollon, nome defendido por setores bolsonaristas e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A demora na definição tem aumentado a tensão entre os grupos internos do PL, que aguardam uma decisão definitiva da direção nacional para encerrar as especulações.
Já no grupo governista estadual, a tendência é de estabilidade. O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha (Republicanos), consolidou espaço político e caminha para repetir a dobradinha com Eduardo Riedel na disputa pela reeleição.
Após meses de especulações sobre uma possível troca na vice, Barbosinha ampliou sua articulação política, intensificou visitas ao interior e conquistou apoio de lideranças importantes. Caso a composição seja confirmada, ele quebrará uma tradição da política sul-mato-grossense, já que nenhum governador reeleito desde a implantação da reeleição manteve o mesmo vice na chapa.
Com pouco mais de três meses para o primeiro turno e as convenções partidárias se aproximando, os movimentos dos bastidores mostram que a disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul entrou em uma fase decisiva. Entre crises internas, articulações e definições pendentes, os partidos aceleram negociações para chegar fortalecidos ao período oficial da campanha.