Sexta, 26 de Junho de 2026

Venezuela vive tragédia histórica: terremotos deixam 884 mortos, milhares de desaparecidos e mergulham o país em cenário de destruição

Duplo terremoto de magnitudes 7,2 e 7,5 arrasou cidades inteiras, matou brasileiros, deixou quase 3 mil feridos e desencadeou uma das maiores operações humanitárias da América Latina

26/06/2026 às 15h30
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A Venezuela enfrenta uma das maiores catástrofes naturais de sua história. O número de mortos provocados pelos dois terremotos que atingiram o país na quarta-feira (24) chegou a 884, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). As equipes de resgate continuam retirando vítimas dos escombros, enquanto milhares de famílias aguardam notícias de parentes desaparecidos em meio ao cenário de devastação.

Além das mortes, o governo venezuelano contabiliza quase 3 mil feridos, muitos em estado grave. As autoridades ainda não divulgaram um número oficial de desaparecidos, mas plataformas criadas por organizações civis estimam que entre 30 mil e 40 mil pessoas continuam sem paradeiro conhecido, alimentando o temor de que o balanço de vítimas aumente drasticamente nos próximos dias.

A tragédia começou com um terremoto de magnitude 7,2, cujo epicentro foi registrado no estado de Yaracuy. Apenas 39 segundos depois, um segundo abalo, ainda mais forte, de magnitude 7,5, sacudiu a mesma região, provocando o colapso de prédios, hospitais, hotéis, rodovias e bairros inteiros. Especialistas classificam o episódio como um dos mais devastadores já registrados no país.

As cidades de La Guaira e Caracas concentraram a maior parte da destruição. Imagens mostram edifícios reduzidos a montanhas de concreto, ruas cobertas por destroços e moradores tentando retirar sobreviventes com as próprias mãos antes mesmo da chegada das equipes de emergência. Hospitais ficaram superlotados, milhares de pessoas perderam suas casas e diversas regiões continuam sem energia elétrica, água e serviços de comunicação.

Na quinta-feira (25), um novo tremor de magnitude 5 voltou a assustar a população. Embora não tenha provocado grandes danos adicionais, o abalo aumentou o medo de novos desmoronamentos e dificultou ainda mais o trabalho das equipes de busca.

Brasileiros estão entre as vítimas

A tragédia também atingiu brasileiros que viviam na Venezuela.

O Ministério das Relações Exteriores confirmou a morte da brasiliense Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, que morava havia apenas dois meses em La Guaira. Ela estava dentro de casa com o namorado venezuelano quando o imóvel desabou. Socorrida com vida, Vanessa foi levada a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Outra vítima brasileira morreu após o hospital onde estava internado ruir durante os terremotos. Sua identidade ainda não foi oficialmente divulgada. O Itamaraty informou que presta assistência consular às famílias e acompanha a situação de outros brasileiros que permanecem na região afetada.

Mãe morre após salvar a própria filha

Em meio à destruição, histórias de heroísmo têm emocionado a Venezuela.

O jogador de futebol Hector Bello anunciou nas redes sociais a morte da esposa, Andrea, encontrada sob os escombros do prédio onde morava a família.

Segundo o atleta, antes de morrer, Andrea conseguiu proteger e salvar a filha do casal, Alana, de apenas um ano. A criança foi resgatada com vida e encaminhada ao hospital.

Em uma emocionante homenagem, Bello escreveu que fará questão de contar à filha como a mãe sacrificou a própria vida para salvá-la.

Corrida contra o tempo

Com milhares de pessoas ainda desaparecidas, bombeiros, militares e equipes internacionais trabalham sem interrupção para localizar sobreviventes.

Escavadeiras pesadas dividem espaço com operações manuais, já que qualquer movimentação brusca pode provocar novos desabamentos e colocar em risco pessoas que ainda possam estar vivas sob os escombros. Autoridades admitem que o número de mortos deve continuar aumentando nas próximas horas.

Mundo se mobiliza para ajudar

A dimensão da tragédia provocou uma rápida mobilização internacional.

Os Estados Unidos anunciaram um pacote de US$ 150 milhões em ajuda humanitária destinado às operações de resgate, atendimento médico e reconstrução das áreas afetadas.

Além dos norte-americanos, mais de 20 países, entre eles Brasil, México, França, Alemanha, Espanha, Suíça, Holanda, Cuba, Ucrânia e República Dominicana, colocaram equipes de resgate, equipamentos e recursos financeiros à disposição da Venezuela.

O governo brasileiro também confirmou o envio de ajuda humanitária por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), que transporta medicamentos, equipamentos e profissionais especializados para auxiliar nas operações de emergência.

Enquanto o mundo acompanha a tragédia, a Venezuela vive dias de luto, incerteza e esperança. Com milhares de pessoas ainda desaparecidas e bairros inteiros destruídos, o país enfrenta uma gigantesca operação de resgate que poderá redefinir o balanço final daquele que já é considerado um dos terremotos mais devastadores da história recente da América Latina.

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