
A troca de donos não encerra a crise do transporte coletivo de Campo Grande. A negociação para venda do Consórcio Guaicurus, anunciada nesta semana, coloca um novo grupo empresarial no centro de um dos maiores problemas da Capital, mas a Câmara Municipal deixa claro que a mudança de comando só terá validade se vier acompanhada de resultados concretos para os passageiros. A avaliação dos vereadores é de que a população já conviveu por anos com promessas de melhorias que nunca saíram do papel e, por isso, a fiscalização será intensificada para impedir que a venda represente apenas uma alteração societária, sem reflexos na qualidade do serviço.
A negociação ocorre em um momento delicado. O sistema de transporte está sob intervenção da Prefeitura desde junho, após a CPI do Transporte Coletivo concluir que o Consórcio descumpriu obrigações contratuais, operou com frota envelhecida e deixou de realizar investimentos previstos na concessão. O relatório da comissão recomendou medidas duras, como a substituição imediata de dezenas de veículos, a intervenção administrativa e até a possibilidade de encerramento do contrato caso as irregularidades persistissem.
Agora, a expectativa recai sobre a HP Mobilidade, grupo de Goiás que pretende assumir o controle das empresas. Porém, a operação ainda depende do aval da Prefeitura, que condicionou a aprovação da venda à apresentação de um plano consistente de investimentos. A administração municipal já sinalizou que não autorizará a transferência se não houver um cronograma claro para renovação da frota, melhorias nos terminais e modernização do sistema.
Na Câmara, o entendimento é que a venda não pode servir como uma "anistia" aos problemas históricos do transporte coletivo. Os vereadores defendem que a futura operadora assuma imediatamente as responsabilidades do contrato e entregue aquilo que os usuários esperam há anos: ônibus mais novos, viagens mais confiáveis, maior conforto e respeito aos horários. A promessa é manter o acompanhamento permanente da intervenção para garantir que a mudança de comando resulte, finalmente, em mudanças perceptíveis para quem depende do transporte público todos os dias