
O consumidor de Campo Grande teve uma pequena trégua no preço dos alimentos em julho, mas a queda ainda está longe de representar alívio significativo no orçamento das famílias. A cesta básica recuou 4,37% em relação a junho, passou de R$ 846,06 para R$ 809,08, uma redução de quase R$ 37.
Mesmo mais barata, Campo Grande continua entre as capitais brasileiras onde o conjunto de alimentos essenciais custa mais caro, ocupando a sexta posição no ranking nacional, atrás de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Florianópolis, Cuiabá e São Paulo. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
A redução de julho também não apagou a alta acumulada. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a cesta ficou 4,3% mais cara. No acumulado de 2026, a alta chega a 4,28%.
O custo da alimentação continua comprometendo uma parcela pesada da renda do trabalhador.
Com o salário mínimo de R$ 1.621, são necessárias aproximadamente 109 horas e 49 minutos de trabalho para comprar a cesta básica em Campo Grande.
Na prática, mais da metade do salário mínimo líquido é consumida apenas pelos alimentos considerados essenciais.
O levantamento do DIEESE também aponta que o salário mínimo necessário para uma família em Campo Grande deveria ter alcançado R$ 7.687,01 em julho, valor muito acima do piso nacional.
A queda geral da cesta foi puxada principalmente por alguns produtos que ficaram mais baratos no mês.
A batata teve a maior redução, de 26,13%, seguida pelo tomate, com queda de 18,60%. O feijão-carioca recuou 7,91%, enquanto o açúcar cristal caiu 7,54%.
Dos 13 produtos pesquisados, seis apresentaram redução.
Na outra ponta, três itens ficaram mais caros: arroz agulhinha, com alta de 1,25%; carne bovina de primeira, 0,67%; e pão francês, 0,44%.
O problema aparece quando se olha para períodos maiores.
Nos últimos 12 meses, a batata acumulou alta de 50,12%, enquanto o feijão-carioca subiu 38,68% e a carne bovina de primeira aumentou 7,42%.
Já no acumulado de 2026, o tomate disparou 60,27%, seguido pela batata, com 47,55%, e pelo feijão, com 39,09%.
Nem tudo, porém, pesou mais no orçamento.
Entre os produtos que apresentaram as maiores quedas acumuladas no ano estão o açúcar cristal, com recuo de 20,79%, o café em pó, que caiu 16,51%, e a banana, com redução de 13,61%.
Nos últimos 12 meses, açúcar, café e arroz também aparecem entre os produtos que ficaram mais baratos.
O cenário mostra que a inflação dos alimentos não ocorre de maneira uniforme: enquanto alguns produtos registram quedas expressivas, outros acumulam aumentos muito acima da média da cesta.
A redução não foi exclusividade de Campo Grande. Segundo o DIEESE, 26 das 27 capitais pesquisadas registraram queda no preço da cesta básica em julho. As maiores retrações ocorreram em Natal, com 7,95%, e Maceió, com 7,87%.
Mesmo com a queda generalizada, a posição de Campo Grande entre as capitais com cesta mais cara mostra que o consumidor sul-mato-grossense ainda enfrenta um custo elevado para garantir os alimentos básicos.
E quem foi ao mercado em agosto já pode encontrar mudanças em produtos hortifrutigranjeiros.
Levantamento da CEASA/MS na primeira semana do mês mostra que o quiabo foi o produto que mais subiu, com valorização de 20,04%. A caixa de 18 quilos passou de R$ 200 para R$ 250. A redução da oferta, a entressafra e as temperaturas mais baixas afetaram a produção.
O limão Tahiti também subiu 10%, enquanto o tomate avançou 8,33% e a cenoura ficou 7,69% mais cara.
O movimento é explicado principalmente pela menor oferta em algumas regiões produtoras, períodos de entressafra e alterações na demanda.
Na outra ponta, alguns produtos ficaram mais baratos.
A laranja Pera Rio caiu 16,67%, passando de R$ 35 para R$ 30 a caixa de 20 quilos. O mamão Formosa recuou 11,11%, enquanto a batata inglesa teve redução de 5,88% e a melancia caiu 3,33%.
As quedas estão relacionadas principalmente ao aumento da oferta ou à menor procura por determinados produtos.
Os números mostram que a queda de quase R$ 37 na cesta básica representa um alívio pontual para o consumidor de Campo Grande, mas não muda o cenário de pressão sobre o orçamento familiar.
A cesta continua acima de R$ 800 e entre as seis mais caras do país. Além disso, produtos importantes para a alimentação diária acumulam aumentos expressivos ao longo do ano.
Para o consumidor, a recomendação é acompanhar as oscilações semanais e comparar preços antes das compras. A diferença entre produtos que estão em período de maior oferta e aqueles pressionados pela entressafra pode representar uma economia significativa no orçamento.
Em um cenário no qual a cesta ainda consome mais da metade do salário mínimo, cada redução no preço dos alimentos faz diferença — mas cada nova alta também pesa diretamente na mesa das famílias.