Segunda, 28 de Setembro de 2026

Previsão de rombo não se confirma e FPM de Campo Grande dispara 10,3%

Mesmo após isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, repasse federal subiu de R$ 319 milhões para R$ 351 milhões e arrecadação da Capital chegou a R$ 6,18 bilhões

28/09/2026 às 15h25
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Divulgação/PMCG
Foto: Divulgação/PMCG

A conta que poderia virar um dos principais problemas para as finanças de Campo Grande acabou apresentando outro resultado. Mesmo com a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) cresceu 10,3% na Capital nos 12 meses encerrados em agosto deste ano, segundo o balanço financeiro publicado no Diário Oficial.

O repasse federal saltou de R$ 319 milhões para R$ 351 milhões, justamente em um período marcado pela mudança na tributação do Imposto de Renda. Antes da entrada em vigor da nova regra, a Prefeitura estimava que poderia perder pelo menos R$ 3 milhões por mês em repasses.

O resultado registrado até agosto ficou distante desse cenário. O FPM apresentou o maior crescimento percentual entre as principais receitas analisadas no balanço municipal. A evolução ocorre em um contexto de aumento da arrecadação federal: somente de janeiro a agosto de 2026, as receitas federais cresceram 11,82% nominalmente e 7,12% acima da inflação na comparação com o mesmo período de 2025.

Até o IRPF cresceu

O desempenho não ficou restrito ao FPM. A retenção do IRPF na folha de pagamentos também avançou, passando de R$ 342 milhões para R$ 359 milhões, alta de 4,9% em 12 meses.

O percentual ficou acima da inflação oficial acumulada considerada no balanço, de 4,47%.

Na prática, os dados mostram que, até agosto, a arrecadação municipal não sofreu a queda projetada com a mudança na faixa de isenção. O cenário, porém, deve continuar sendo acompanhado, já que o comportamento das receitas depende de diferentes fatores econômicos e das regras de distribuição das transferências constitucionais. A Receita Federal confirma que parte da arrecadação de IR e IPI é destinada aos municípios por meio do FPM.

Repasse estadual fica para trás

Enquanto o dinheiro federal avançou dois dígitos, o ICMS, principal transferência estadual considerada no balanço, teve alta de apenas 2,4%.

O resultado colocou o repasse estadual na última posição entre as seis principais fontes analisadas. Já o IPVA teve desempenho bem superior, com crescimento de 9,4%, passando de R$ 234 milhões para R$ 256 milhões.

Entre as receitas próprias, o ISS cresceu 8,6%, de R$ 704 milhões para R$ 765 milhões. O IPTU avançou 8,1%, passando de R$ 651 milhões para R$ 704 milhões.

Receita passa de R$ 6 bilhões

Somadas as principais fontes, a receita bruta da Prefeitura avançou de R$ 5,763 bilhões para R$ 6,181 bilhões em 12 meses. O crescimento foi de 7,2%, acima da inflação acumulada no período.

Mas o aumento da arrecadação veio acompanhado de uma pressão maior nas despesas. Os gastos brutos com pessoal passaram de R$ 3,574 bilhões para R$ 3,861 bilhões, alta de aproximadamente 8%.

O próprio demonstrativo fiscal mostra que a despesa do Executivo chegou a 53,89% da receita corrente líquida ajustada, acima do limite prudencial de 51,3% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal e a apenas R$ 5,95 milhões do teto de 54%.

Assim, o retrato das contas municipais no segundo quadrimestre não aponta para um colapso de arrecadação provocado pela isenção do IR. O que aparece nos números é outro desafio: a receita cresceu, mas as despesas com pessoal avançaram em ritmo ainda maior e deixaram a Prefeitura próxima do limite máximo estabelecido pela legislação fiscal.

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