
Mato Grosso do Sul chega aos 49 anos com um desafio social que começa a mudar de dimensão: a extrema pobreza recuou 40,72% em dois anos, enquanto dezenas de milhares de pessoas deixaram a condição de pobreza. O índice estadual caiu de 2,7% para 1,6%, o terceiro menor do país, resultado que rendeu reconhecimento nacional à política de assistência social do Estado.
Os dados revelam o alcance das mudanças em um estado que se destaca pelo crescimento econômico, mas ainda precisa enfrentar desigualdades e garantir que o avanço da economia chegue às famílias em situação de vulnerabilidade.
A iniciativa “Sem Deixar Ninguém Para Trás”, vencedora do Prêmio Excelência em Competitividade 2026, concedido pelo Centro de Liderança Pública (CLP), reorganizou a atuação da assistência social para alcançar pessoas que permaneciam fora dos programas públicos. O reconhecimento ocorreu entre projetos inscritos por governos estaduais de todo o país.
Entre março de 2024 e março de 2026, Mato Grosso do Sul registrou a saída de 44.604 pessoas da situação de pobreza, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. No mesmo período, 34 mil famílias deixaram a condição de insegurança alimentar, conforme dados do IBGE.
A redução da extrema pobreza é outro indicador expressivo: o percentual passou de 2,7% em 2022 para 1,6% em 2024, conforme os dados que embasaram a iniciativa premiada. O resultado colocou o Estado entre os melhores do país nesse indicador.
Uma das mudanças foi deixar de depender exclusivamente da procura espontânea por benefícios. Com cruzamento de bancos de dados, georreferenciamento e levantamentos nos municípios, as equipes passaram a identificar famílias vulneráveis que ainda não estavam incluídas na rede de proteção.
O modelo reúne programas como Mais Social, Energia Social, Cuidar de Quem Cuida e MS Supera. Além do auxílio para despesas essenciais, a estratégia inclui ações de qualificação profissional, incentivo à educação e apoio para que mulheres responsáveis pelo sustento dos filhos possam trabalhar.
Desde 2023, mais de 27 mil pessoas deixaram o Mais Social após melhorar de vida e não precisar mais do benefício. O dado integra os resultados da política que busca associar proteção imediata a condições para a conquista de autonomia financeira.
Para o governo estadual, a redução dos indicadores representa uma etapa de uma meta mais ampla: erradicar a extrema pobreza em Mato Grosso do Sul. O objetivo exige manter o atendimento às famílias vulneráveis, ampliar oportunidades de emprego e qualificação e identificar quem ainda permanece fora da assistência.
Aos 49 anos, o Estado celebra o reconhecimento nacional por uma política social, mas os números também dimensionam o trabalho que ainda precisa ser feito. Mesmo com o índice em queda, 1,6% da população continua em situação de extrema pobreza.
O resultado coloca Mato Grosso do Sul em posição de destaque no combate à miséria. O próximo passo será transformar a redução já alcançada em um avanço permanente, capaz de aproximar o desenvolvimento econômico da garantia de condições dignas de vida para toda a população.