
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um reforço político de peso em Mato Grosso do Sul. Na noite desta quarta-feira (14), o governador reeleito Eduardo Riedel (PP) e o senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) reuniram prefeitos, deputados e lideranças em Campo Grande para definir a estratégia do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
O encontro ocorreu no comitê de campanha do senador eleito Capitão Contar (PL) e contou com a presença de 70 dos 79 prefeitos do Estado. Também participaram parlamentares eleitos, candidatos que disputaram as eleições — vencedores ou não — e militantes. Nove prefeitos justificaram ausência; o deputado federal reeleito Marcos Pollon (PL) não compareceu.
O objetivo central da reunião foi ampliar a vantagem de Flávio Bolsonaro no Estado. No primeiro turno, o candidato do PL obteve 58,60% dos votos válidos, com 873.351 votos, contra 34,68% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu 516.855 votos.
Apesar da diferença de quase 24 pontos percentuais, Azambuja avalia que ainda há espaço para crescimento. Um dos alvos da mobilização são os 483 mil eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno — Mato Grosso do Sul registrou o maior índice de abstenções do país. O senador eleito atribui parte do fenômeno às chuvas intensas, mas reconhece que outros fatores também influenciaram.
“Estimular essa pessoa a ir votar e conquistar o eleitor indeciso para que vote no Flávio”, resumiu Azambuja.
A principal ação anunciada é a “Missão Flávio 22”, marcada para este sábado (17). Prefeitos, parlamentares, candidatos e militantes devem realizar adesivagens simultâneas nos 79 municípios sul-mato-grossenses.
A mobilização também prevê bandeiradas, distribuição de materiais de campanha e intensificação das publicações nas redes sociais. A estratégia deve seguir até o dia da votação, com foco em levar o eleitor às urnas e consolidar o apoio já conquistado no primeiro turno.
Durante o ato, Riedel defendeu que a eleição de Flávio Bolsonaro pode fortalecer a relação entre Mato Grosso do Sul e o governo federal, especialmente em demandas de saúde e infraestrutura.
“Estamos pensando nos 79 municípios, de onde saímos vitoriosos nesta eleição. Quando projetamos os próximos quatro anos, será muito importante termos o Flávio Bolsonaro”, declarou o governador.
Riedel também criticou o presidente Lula ao comparar o anúncio de recursos para uma ponte na Bahia com os entraves relacionados à ponte de Porto Murtinho. Para ele, as demandas do município sul-mato-grossense precisam de maior atenção do governo federal.
Azambuja adotou um tom mais duro. O senador eleito pediu empenho total das lideranças para transformar as vitórias estaduais em apoio à candidatura presidencial.
“Não podemos acabar com gosto amargo”, afirmou, ao se referir à possibilidade de derrota para Lula. Em seguida, declarou: “O Brasil não aguenta mais o PT”.
O senador eleito ainda prometeu “premiar” com emendas parlamentares os municípios em que Flávio Bolsonaro alcançar as maiores votações. Segundo ele, o compromisso envolve Capitão Contar e a senadora Tereza Cristina (PP).
“Os municípios onde o Flávio tiver a maior votação, nós vamos premiar com as emendas”, afirmou Azambuja.
A articulação em Mato Grosso do Sul faz parte de uma estratégia nacional do PL. Segundo Azambuja, as lideranças estaduais ficarão responsáveis pela campanha em seus territórios, enquanto Flávio concentrará parte dos esforços nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, onde está grande parte do eleitorado brasileiro.
“A estratégia que a gente desenhou é nós cuidarmos dos nossos estados, militância, material, campanha na rua, e o Flávio focando ele como candidato mais ao Nordeste, ao Norte e ao Sudeste também, que é onde está o grande eleitorado brasileiro, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro”, explicou.
Além da campanha eleitoral, Azambuja afirmou ter participado de discussões nacionais sobre reformas estruturais, redução das despesas públicas e diminuição do número de ministérios.
Ele disse ter entregue ao candidato um documento com reivindicações do agronegócio de Mato Grosso do Sul, incluindo medidas para enfrentar o endividamento rural, os juros elevados, os custos de produção e as dificuldades de transporte e armazenagem.
Entre as prioridades defendidas estão investimentos em logística, ferrovias, hidrovias e rodovias para melhorar o escoamento da produção. Azambuja também citou segurança pública, com integração entre União e Estados no combate às facções criminosas — especialmente nas regiões de fronteira —, além de mais recursos para a saúde pública e ampliação dos programas habitacionais.
Nas discussões do grupo de Flávio Bolsonaro, Azambuja defendeu a extinção do Ministério do Meio Ambiente e a criação de um Ministério da Sustentabilidade, que reuniria políticas ambientais e de desenvolvimento econômico.
Segundo ele, o modelo seguiria a lógica da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) de Mato Grosso do Sul, buscando conciliar preservação ambiental, geração de empregos e investimentos.
“Nós unimos o meio ambiente com o desenvolvimento, não é excludente, não é separar um do outro”, afirmou o senador eleito, ao negar que a proposta signifique fragilizar a proteção ambiental.
Embora tenha sido citado como eventual nome para o Ministério da Agricultura, Azambuja rejeitou a possibilidade. Ele afirmou que seu lugar será no Senado a partir de 2027.
“Eu quero ajudar Mato Grosso do Sul como senador da República, porque eu tenho certeza que como senador eu posso fazer muito pelo nosso Estado”, declarou.
O senador eleito conquistou 903.554 votos, a maior votação já registrada por um candidato ao Senado em Mato Grosso do Sul. Ele também lembrou sua trajetória como prefeito, deputado estadual, deputado federal e governador por dois mandatos, argumentando que essa experiência pode contribuir para debates sobre gestão pública e prioridades nacionais.
Azambuja ainda avaliou a força do grupo político que articulou nas eleições deste ano, responsável pela reeleição de Riedel, pela escolha dos dois senadores, por sete dos oito deputados federais e por 20 dos 24 deputados estaduais. Para ele, a saída do PSDB, após 30 anos de filiação, e a assunção do comando do PL foram decisivas para reorganizar a direita no Estado.