
A disputa pela Presidência da República chega aos momentos decisivos com um cenário de pressão sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente em 15 dos 17 levantamentos nacionais citados para o segundo turno. Em apenas uma pesquisa Lula tem vantagem, enquanto outra aponta empate. A sequência de resultados favoráveis ao senador intensifica a expectativa para o último debate presidencial antes da votação.
Apesar da vantagem apontada pela maioria dos institutos, a eleição está longe de ser considerada decidida. As diferenças são estreitas, e o empate registrado pelo Datafolha mostra que a disputa permanece acirrada. Nesse cenário, o confronto desta sexta-feira (23), na TV Globo, passa a ser uma das últimas oportunidades para os candidatos convencerem eleitores indecisos e evitarem deslizes capazes de comprometer suas campanhas.
O levantamento PoderData/Aya, realizado entre 19 e 21 de outubro, aponta Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Na pesquisa anterior, feita entre 16 e 18 de outubro, o senador aparecia com 52%, enquanto o presidente tinha 48%.
O Datafolha, por sua vez, registra empate de 50% a 50% nos votos válidos. A pesquisa foi realizada entre 20 e 22 de outubro, com 2.520 entrevistados, margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. No levantamento anterior, divulgado em 15 de outubro, Flávio tinha 51%, ante 49% de Lula.
Outros institutos também apontam vantagem numérica para o candidato do PL. A AtlasIntel indica 51,1% para Flávio e 48,9% para Lula. A Real Time Big Data registra 52% contra 48%, enquanto a DataTrends aponta 51,5% a 48,5%. Futura, Ipespe/Abrapel, Veritá e Meio/Ideia também aparecem entre os levantamentos que mostram o senador à frente, conforme os números informados.
O conjunto das pesquisas reforça o cenário de competitividade e aumenta a pressão sobre o comando das duas campanhas. Ainda assim, diferenças dentro das margens de erro exigem cautela: liderança numérica não significa vitória garantida.
A preparação de Flávio Bolsonaro para o último debate inclui a tentativa de apresentar propostas com maior precisão e demonstrar domínio dos temas que mais preocupam o eleitorado. A avaliação de aliados é que o candidato precisa evitar repetições e aproveitar melhor as oportunidades para confrontar o governo, especialmente nas áreas de economia e segurança pública.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participa da preparação e defende uma atuação mais técnica, com respostas objetivas e maior aprofundamento das propostas.
Na economia, Flávio pretende destacar medidas para renegociar dívidas, com redução de juros e ampliação dos prazos de pagamento. Também defende um corte na estrutura administrativa federal, com a extinção de pelo menos dez ministérios.
Na segurança pública, a campanha prepara argumentos em defesa da redução da maioridade penal para 16 anos e da classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas.
O senador também deverá enfrentar perguntas sobre suas relações com o advogado Willer Tomaz e o banqueiro Daniel Vorcaro. Eventuais suspeitas e investigações relacionadas a esses vínculos precisam ser tratadas como questões sob apuração, e não como irregularidades comprovadas. Para a campanha, o desafio é responder aos questionamentos sem permitir que eles dominem todo o debate.
A estratégia de Lula é defender os resultados de seus governos, reforçar políticas sociais e apresentar propostas para um eventual novo mandato. A orientação aos aliados é manter a calma, não cair em provocações e evitar que o confronto se transforme em uma sucessão de acusações pessoais.
A preparação inclui simulações de perguntas sobre economia, custo de vida, segurança pública, saúde, proteção às mulheres e programas sociais. O objetivo é dar respostas diretas às preocupações cotidianas dos eleitores e demonstrar como o governo pretende enfrentar os problemas que persistem.
A campanha também prepara o presidente para questionamentos envolvendo a lobista Roberta Luchsinger, alvo de investigação da Polícia Federal. O tema pode ser explorado pelo adversário, assim como Flávio poderá ser pressionado sobre suas próprias relações políticas e empresariais.
Lula deve tentar direcionar o confronto para a comparação entre os dois projetos de governo, destacando as políticas sociais e o histórico do PT. A dificuldade será defender a gestão sem parecer distante das preocupações de quem enfrenta dificuldades com preços, renda e segurança.
Com a disputa apertada, convencer quem ainda não decidiu o voto é apenas parte do desafio. As campanhas também precisam mobilizar seus eleitores e reduzir o risco de abstenção, fator que pode ter peso importante em uma eleição marcada por diferenças estreitas.
A expectativa é de que os candidatos recorram a estratégias para estimular os eleitores a pesquisar informações sobre os adversários e suas trajetórias. O recurso, porém, pode reforçar a polarização e aumentar a circulação de acusações durante as últimas horas de campanha.
O debate da TV Globo será, portanto, um teste de preparo, resistência e capacidade de comunicação. Flávio chega amparado pela vantagem numérica apontada na maioria das pesquisas citadas, mas precisa evitar erros e transformar a tendência em votos. Lula tenta reagir, defender seu legado e impedir que a sequência de levantamentos favoráveis ao adversário se converta em impulso definitivo.
A disputa segue aberta até a apuração. As pesquisas oferecem um retrato das intenções de voto no período em que foram realizadas, mas não substituem o resultado das urnas. Na reta final, cada resposta, cada proposta e cada erro podem ganhar importância na decisão do eleitor.