Quarta, 04 de Novembro de 2026

TCE-MS coloca tapa-buracos de Campo Grande sob investigação e encontra falhas em usina de asfalto

Técnicos vão analisar a composição da massa asfáltica e a execução dos reparos; fiscalização identificou que usina não possui balança própria para pesagem dos insumos

04/11/2026 às 13h30
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O serviço de tapa-buracos de Campo Grande entrou na mira do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS). Uma fiscalização realizada nesta quarta-feira (4) percorreu a usina responsável pela produção da massa asfáltica e acompanhou os trabalhos nas ruas da Capital para investigar possíveis falhas que comprometem a qualidade e a durabilidade dos reparos.

A inspeção pretende verificar se o material utilizado atende às exigências técnicas e se os procedimentos adotados na recuperação do pavimento são executados corretamente. Para isso, os técnicos vão recorrer a uma análise conhecida como engenharia reversa, que consiste na coleta de fragmentos do asfalto já aplicado para examinar sua composição.

Entre os critérios avaliados estão a temperatura da massa asfáltica, a compactação do pavimento e a proporção dos componentes utilizados na mistura. O objetivo é descobrir se a quantidade de betume, responsável pela ligação dos materiais, e de brita está dentro dos padrões necessários para garantir resistência.

A engenheira Claudeni Simone Alves Santana, responsável técnica pelo laboratório de obras rodoviárias do TCE-MS, explicou que a fiscalização acompanha todo o processo, desde a fabricação até a aplicação nas vias.

Segundo ela, a temperatura de produção apresentou condições adequadas na avaliação inicial, mas a análise laboratorial ainda precisa confirmar a composição exata do material.

A preocupação é evitar que uma massa asfáltica inadequada seja utilizada nos reparos, provocando desgaste prematuro e o reaparecimento dos buracos após pouco tempo, especialmente durante o período de chuvas.

Usina apresenta falha no controle de pesagem

Além da qualidade do asfalto, a estrutura da usina operada pelo Consórcio Central dos Municípios também chamou a atenção dos fiscais.

Com capacidade para produzir 120 toneladas de massa asfáltica por hora, a unidade não possui balança própria para a pesagem dos insumos. Durante a inspeção, os técnicos constataram que o consórcio utiliza o equipamento de outra empresa.

A situação será incluída na avaliação do Tribunal, que pretende verificar quais providências serão adotadas para regularizar a estrutura, incluindo eventual aquisição de equipamento próprio.

A ausência de uma balança na própria usina levanta questionamentos sobre o controle e a rastreabilidade dos materiais utilizados na produção, já que a pesagem é uma etapa importante para conferir as quantidades empregadas na mistura.

Relatório poderá embasar medidas contra irregularidades

As amostras coletadas e as informações levantadas durante a vistoria vão compor um relatório técnico laboratorial, que será encaminhado ao auditor responsável pelo acompanhamento do caso.

Se forem confirmadas irregularidades, os resultados poderão embasar medidas administrativas, sanções ou termos de ajuste de conduta.

O Tribunal também vai avaliar a execução do tapa-buracos diretamente nas ruas. Isso porque a qualidade da massa asfáltica, por si só, não garante um reparo duradouro. A preparação do buraco, a aplicação do material e a compactação são etapas fundamentais para evitar que o problema volte a aparecer.

A fiscalização busca, portanto, identificar falhas em toda a cadeia do serviço e verificar se o dinheiro público está sendo aplicado em trabalhos que realmente ofereçam qualidade e resistência ao pavimento da Capital.

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