Quinta, 05 de Março de 2026
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Ex-presidentes do TCE-MS viram réus em novo escândalo de corrupção

MPMS denuncia esquema que teria desviado R$ 100 milhões em contratos fraudulentos

03/02/2025 às 08h25
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Os ex-presidentes do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), Waldir Neves Barbosa e Iran Coelho das Neves, enfrentam mais uma acusação de corrupção, desta vez envolvendo crimes de lavagem de dinheiro e fraude em licitações. O Ministério Público Estadual (MPMS) apresentou denúncia que foi aceita pelo juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. A ação também pede a devolução de R$ 100 milhões aos cofres públicos, relacionados a irregularidades em contratos firmados com a empresa Dataeasy Consultoria e Informática.

Waldir e Iran, afastados do TCE-MS desde dezembro de 2022, já estavam sob monitoramento por tornozeleira eletrônica em decorrência da Operação Terceirização de Ouro, desdobramento da Operação Mineração de Ouro, iniciada em 2021. Eles são acusados de liderar um esquema que utilizava empresas de fachada para fraudar licitações e desviar recursos públicos. O juiz determinou que os réus apresentem defesa em até 30 dias.

Detalhes do esquema

De acordo com o MPMS, a fraude nos contratos envolvia exigências técnicas desnecessárias para restringir a concorrência, uso de atestados falsos de capacidade técnica e a contratação de serviços distintos em um único certame. Entre os alvos da investigação estão contratos milionários com a Dataeasy, que foram suspensos após o início das operações.

Além de Waldir e Iran, a denúncia inclui outros nomes ligados ao TCE-MS e à empresa investigada. O sobrinho de Waldir, Willian das Neves Barbosa Yoshimoto, o ex-diretor administrativo do tribunal, Parajara Moraes Alves Júnior, e empresários ligados à Dataeasy também são réus no processo. Entre eles, destacam-se Murilo Moura Alencar, sócio da empresa, e Ricardo da Costa Brockveld, diretor corporativo.

Operações desdobradas

A Operação Casa de Ouro, deflagrada em julho de 2024, é a terceira fase da Mineração de Ouro. Com apoio da Polícia Federal, Receita Federal e Controladoria-Geral da União (CGU), as investigações miraram imóveis, transações imobiliárias ocultas e movimentações financeiras irregulares, revelando um esquema de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.

Em dezembro de 2022, a Operação Terceirização de Ouro já havia cumprido 30 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e outras cidades. Documentos e depoimentos reforçam as acusações, incluindo a atuação de funcionários da Dataeasy, como Paulo Antonio Morandi de Queiroz, Rafael Manella Martinelli e Rolando Moreira Lima Bonaccorsi, em práticas fraudulentas que prejudicaram o erário.

Impacto e próximos passos

Com a aceitação da denúncia, o juiz ordenou o prosseguimento do processo, que poderá levar à devolução de valores desviados e à responsabilização de todos os envolvidos. As investigações seguem ativas, e o desdobramento das operações pode expor outros contratos irregulares e conexões no esquema de corrupção.

Enquanto isso, Waldir Neves Barbosa e Iran Coelho das Neves permanecem afastados do TCE-MS, enfrentando um cerco cada vez mais apertado da Justiça.

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*Com informações Midiamax

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