
A pré-campanha eleitoral em Mato Grosso do Sul entrou em ebulição. A poucos meses das eleições, a disputa pelo Senado, os conflitos partidários e a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Estado colocaram as principais lideranças políticas em intensa movimentação, ampliando a tensão nos bastidores e acelerando as articulações para a formação dos palanques.
Um dos principais capítulos envolve o vereador Marquinhos Trad (PV), que corre o risco de enfrentar uma batalha judicial para manter o mandato na Câmara Municipal de Campo Grande. O PDT ingressou na Justiça Eleitoral com uma ação pedindo a perda do cargo por desfiliação partidária sem justa causa.
O partido alega que a saída de Marquinhos ocorreu com base em uma carta de anuência emitida sem a devida homologação da Executiva Nacional da legenda. Já o vereador sustenta que deixou o PDT amparado por justa causa, alegando perseguição política e desvio do programa partidário.
Apesar da ofensiva pedetista, o juiz Carlos Alberto Garcete negou o pedido de afastamento imediato e determinou que a Executiva Nacional do PDT se manifeste formalmente sobre a validade da carta de anuência antes do prosseguimento da ação.
A decisão representa um alívio momentâneo para Marquinhos, que segue exercendo o mandato e mantém os planos de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Verde.
Enquanto isso, a disputa pelo Senado continua provocando turbulências dentro do PL.
Mesmo após meses de articulações, o partido ainda não definiu oficialmente quem ocupará as duas vagas apoiadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em Mato Grosso do Sul. A indefinição alimenta um clima de ansiedade entre os pré-candidatos e evidencia divergências internas na principal legenda da direita brasileira.
Nos bastidores, o cenário mais provável aponta para a confirmação do ex-governador Reinaldo Azambuja como um dos escolhidos. O próprio ex-tucano revelou que recebeu sinal verde de Bolsonaro quando ingressou no PL.
Segundo ele, a segunda vaga seria definida por pesquisas internas encomendadas pelo partido. Os levantamentos apontariam vantagem de Capitão Contar sobre o deputado federal Marcos Pollon, mas o anúncio segue sendo tratado com cautela.
A demora na decisão alimenta especulações e aumenta a tensão entre os grupos envolvidos. Pollon, por sua vez, segue utilizando uma carta assinada por Bolsonaro em fevereiro, na qual foi apresentado como candidato ao Senado, e passou a sugerir publicamente a existência de articulações para enfraquecer sua pré-candidatura.
O parlamentar tem intensificado agendas pelo interior do Estado e insiste que continua representando a vontade do ex-presidente, enquanto aliados de Capitão Contar apostam que Bolsonaro seguirá os resultados das pesquisas.
No campo governista, a expectativa gira em torno da visita de Lula a Mato Grosso do Sul na próxima quinta-feira (25). O presidente cumprirá agenda em Três Lagoas e Ponta Porã, onde participará de eventos ligados ao desenvolvimento econômico e à regularização fundiária.
Em Três Lagoas, Lula visitará as obras de retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), empreendimento considerado estratégico para reduzir a dependência brasileira da importação de fertilizantes.
Já em Ponta Porã, o presidente entregará quase 1.400 títulos de regularização fundiária para famílias assentadas em diferentes municípios do Estado, além de anunciar medidas voltadas para comunidades quilombolas e para a educação no campo.
A visita presidencial também possui forte peso político. Lideranças petistas avaliam que a presença de Lula servirá para fortalecer a pré-candidatura do deputado federal Vander Loubet ao Senado e consolidar a mobilização do chamado campo democrático em Mato Grosso do Sul.
Com disputas judiciais, definições pendentes no PL e a chegada de Lula ao Estado, a pré-campanha ganha novos contornos e demonstra que a corrida eleitoral de 2026 já começou de forma intensa. Nos próximos dias, decisões partidárias e movimentações nacionais poderão redefinir alianças, fortalecer candidaturas e alterar o equilíbrio de forças no cenário político sul-mato-grossense.