Segunda, 06 de Julho de 2026

Tabuleiro eleitoral vira campo de batalha em MS com guerra no PL e Senado em disputa aberta

Definição de Capitão Contar amplia tensão no PL, pesquisas apontam disputa equilibrada pelas vagas ao Senado e articulações de bastidores prometem manter o cenário indefinido até as convenções

06/07/2026 às 15h30
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul entrou definitivamente em uma nova fase. Faltando cerca de três meses para a eleição, a disputa pelo Governo do Estado ainda apresenta ampla vantagem do governador Eduardo Riedel (PP), mas a briga pelas duas vagas ao Senado se transformou no principal foco da movimentação política, marcada por disputas internas, articulações de bastidores e indefinições que prometem se estender até as convenções partidárias.

O epicentro da crise está no PL. Embora o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, tenha anunciado o ex-deputado estadual Capitão Contar como segundo pré-candidato do partido ao Senado, ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja, a decisão não encerrou a disputa interna. O deputado federal Marcos Pollon, que contava com apoio público de Jair Bolsonaro, evitou comentar a escolha e ainda alimentava a expectativa de uma reviravolta até que a crise envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro alterou completamente o cenário político dentro da legenda.

Nos bastidores, aliados de Pollon apostavam na influência de Michelle Bolsonaro sobre o ex-presidente para reverter a decisão da executiva nacional. Entretanto, o desgaste entre Michelle e Flávio Bolsonaro reduziu drasticamente essa possibilidade. Segundo informações divulgadas nos últimos dias, Jair Bolsonaro desaprovou manifestações públicas da ex-primeira-dama relacionadas ao conflito familiar, enfraquecendo sua influência nas decisões estratégicas do partido e praticamente eliminando a principal alternativa de Pollon para voltar ao páreo.

A definição de Capitão Contar foi sustentada por levantamentos internos realizados pelo PL. De acordo com a direção nacional, pesquisas contratadas pela legenda mostraram desempenho eleitoral superior do ex-deputado em comparação com Pollon, critério previamente acordado entre a cúpula partidária e Bolsonaro para definir o segundo nome ao Senado. Mesmo assim, dirigentes estaduais preferem cautela, já que a oficialização das candidaturas ocorrerá apenas durante as convenções.

Enquanto o PL tenta administrar suas divergências, a disputa pelo Senado permanece extremamente equilibrada. Levantamento do Instituto Ranking mostra Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e o senador Nelsinho Trad (PSD) tecnicamente empatados dentro da margem de erro no primeiro voto, cenário que confirma uma eleição altamente competitiva pelas duas cadeiras disponíveis. Em simulações sem Contar e com Pollon, o deputado federal aparece em posição bem inferior aos principais concorrentes, reforçando o argumento utilizado pela direção nacional do PL para justificar sua escolha.

Além da força nas pesquisas, outro fator que deverá influenciar a campanha é a presença digital dos candidatos. A senadora Soraya Thronicke (PSB), candidata à reeleição, lidera com folga o número de seguidores nas redes sociais em Mato Grosso do Sul, acumulando cerca de 758 mil seguidores nas principais plataformas. Capitão Contar aparece na sequência, com aproximadamente 231 mil seguidores, enquanto Reinaldo Azambuja soma cerca de 222 mil. Apesar da liderança digital, Soraya enfrenta elevados índices de rejeição nas pesquisas, consequência do rompimento com o bolsonarismo e da aproximação com o governo federal.

Já na disputa pelo Governo do Estado, o cenário permanece favorável ao governador Eduardo Riedel. Pesquisa do Instituto Ranking aponta o candidato do PP com 46,4% das intenções de voto, mais que o dobro do segundo colocado, Fábio Trad (PT), que aparece com 20,8%. João Henrique Catan (Novo) surge em terceiro lugar, seguido pelos demais concorrentes, configuração que, neste momento, projeta uma possível vitória ainda no primeiro turno caso o quadro permaneça inalterado.

Nos bastidores da política sul-mato-grossense, porém, poucos acreditam que o cenário esteja consolidado. Além das indefinições no PL, partidos como Republicanos, União Brasil, PP, PT e PSDB intensificam articulações para montar chapas competitivas à Câmara dos Deputados, onde a disputa pelas oito vagas promete ser marcada por negociações, desistências e forte concorrência entre aliados e adversários. Até as convenções, lideranças admitem que novas mudanças ainda podem redesenhar completamente o tabuleiro eleitoral do Estado.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários